Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 31/07/2020
Na música “Asa Branca”, do cantor e compositor Luiz Gonzaga, é narrada a difícil realidade da falta de água no Brasil, na qual é evidenciada as consequências tanto para a fauna e flora locais quanto para a saúde da população. Contudo, apesar de a música ser de 1947, essa ainda reflete a atual realidade social brasileira, uma vez que a nociva crise hídrica ainda acarreta a miséria e a péssimas condições de vida para parte da sociedade. Nesse preocupante contexto, é preciso compreender como o uso inadequado da água e a ausência de políticas públicas de reutilização contribuem para a persistência do problema.
Em primeiro lugar, a utilização da água como um bem inesgotável é uma questão crucial ao analisar o impasse. De fato, o atual uso excessivo dessa fonte reflete a colonização de exploração realizada no Brasil, na medida que, desde 1500, colonizadores portugueses utilizaram os recursos naturais brasileiros de forma exagerada e inconsequente, visando o próprio lucro. Nesse sentido, tal meio de exploração causou não somente o desmatamento e a extinção de espécies nativas, mas também uma cultura de uso da natureza como um bem infinito. Dessa forma, parte da população parece permanecer com a mesma mentalidade de 1500, enquanto classes menos favorecidas lutam contra a falta desse bem natural.
Além disso, a inexistência de políticas públicas que visem o consumo inteligente e a reutilização de água corrobora a perpetuação do quadro. Segundo o filósofo Aristóteles, “política é a arte de gerir a pólis visando ao bem comum”, o que revela o papel do Estado em garantir o bem-estar da nação. Entretanto, apesar de o Artigo 3 da Constituição Federal afirmar que reduzir as desigualdades sociais e regionais é um objetivo fundamental da União, esse não é concretizado, por completo, na prática. Isso ocorre devido à falta de campanhas de conscientização e de projetos de receptação de água. Desse modo, a crise hídrica e as desigualdades sociais persistem no país.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar as causas da falta de água no Brasil. Nesse viés, além de promover campanhas publicitárias de conscientização, o Estado e o Ministério Público, devem criar um projeto de lei que será entregue à Câmara dos Deputados, com o objetivo de aumentar os investimentos na construção de reservatórios de captação de água da chuva em áreas mais afetadas pela crise hídrica. Isso deve ocorrer por meio de parcerias com empresas privadas, para que mais famílias possam ser beneficiadas por tais construções. Somente assim, espera-se que a realidade de Luiz Gonzaga permaneça apenas na letra de “Asa Branca”.