Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 20/06/2020

De acordo com a Organização das Nações Unidas, estima-se que, até 2050, 5 bilhões de pessoas sofrerão com a falta de água. Nesse cenário, é evidente que a população deve tomar todas as medidas para reverter ou amenizar essa situação. Contudo, o consumo predatório e a não preservação do meio ambiente demonstram descaso, o que reflete em um agravamento da crise hídrica.

Segundo a instituição “Water Footprint”, cada quilo de carne bovina requer 15.500 litros de água, valor bem maior que o do trigo, o qual exige 1.300 litros. Apesar disso, a cultura gastronômica brasileira ainda é muito baseada no oneroso alimento, demonstrando uma falta de consciência da população. Além disso, atitudes diárias de desperdício, como tomar banhos longos e manter a torneira aberta desnecessariamente, também influenciam na problemática. Conforme o pensador Thomas Fuller, “Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.”.

Outrossim, o desmatamento é um grave fator relacionado à ausência de chuvas e, portanto, à crise. Em particular, a retirada da cobertura vegetal promove um desequilíbrio do ciclo da água, pois causa o assoreamento dos rios e uma redução do processo de evapotranspiração, fundamentais para que ocorram as precipitações. Ademais, é preciso ressaltar que o Brasil possui a maior reserva hídrica potável mundial, quantidade concentrada na Amazônia, a qual representa 12% do total da Terra. Entretanto, a região tem sido devastada para possibilitar exploração por grandes empresas.

Portanto, são essenciais ações para combater o problema. Para tal, é necessário que a mídia promova a conscientização dos indivíduos, mediante a criação de campanhas que informem sobre a importância do recurso, a situação atual e maneiras de contribuir para a melhora desse cenário, com o fito de promover uma mudança coletiva de hábitos. Por fim, é dever do Estado, especificamente o Governo Federal, acabar com o desmatamento, o que é possível por meio da criação de mais reservas florestais, além do estabelecimento de penas rigorosas para o crime de retirar a vegetação, com o propósito de preservar os habitats que possibilitam a condução natural do ciclo da água.