Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 23/06/2020
Tales de Mileto, filósofo pré-socrático, acreditava que a água era a origem de todas as coisas, famosa arché. Entretanto, este recurso tem se tornado escasso, como é retratado no livro “O Quinze” de Rachel de Queiroz, em que Chico Bento e sua família se tornam retirantes, por causa da seca que assolou o Nordeste em 1915. Isso se deve, não somente por motivos climáticos, como também pelo desmatamento, agravado pelo desperdício em massa.
O El niño, fenômeno que ocorre a cada quatro anos, cuja gênese desconhecida, mas pode-se perceber as consequências, é responsável por secas e enchentes que agridem a agricultura e elevam as temperaturas globais. Não obstante, outro problema é o desmatamento, que mesmo não sendo o cofator, ele intensifica os óbices e agride os recursos hídricos, como ocorreu em São Paulo no sistema da Cantareira, pela desarborizaçãoda Mata Atlântica.
Além disso, o desperdício é periclitante na sociedade. Já dizia Guimarães Rosa, água é como liberdade só tem valor quando acaba. E levando isso em consideração, é importante notar os altos índices indicados pela Agência Nacional da Água (ANA), afirmando a agricultura como responsável por mais de 70 porcento do uso da água, e com técnicas de incineração tradicionais, se torna a grande pioneira no desperdício também. Por conseguinte, vale lembrar, que com uma possível crise hídrica, não só os setores alimentícios serão afetados, como também o fornecimento de energia elétrica e a queda na econômia.
Portanto, urge que o Ministério do Meio Ambiente em confluência com os agricultores, por meio de um Projeto de Lei entregue a Câmara dos Deputados, com o objetivo de financiar projetos para melhorar as técnicas de incineração, e, também, trabalhar em campanhas e políticas públicas como a reutilização e água, para promover consciência da população e das empresas agrícolas. Espera-se com isso frear a crise no abastecimento de água.