Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 11/07/2020

A obra " Os retirantes" do pintor modernista brasileiro Cândido Portinari relata uma família devastada pela seca, em busca de água e sobrevivência. Atualmente, regiões do Brasil são afetadas pela crise hídrica, a qual tem fatores como a distribuição desigual de água e o consumo insustentável. Sob essa ótica, é necessária a análise dessa conjuntura para que o país possa mitigar entraves e aprender com o cenário vigente.

A priori, deve-se considerar que há uma profunda discrepância no país entre a quantidade de água e população. Exemplo disso é a região norte que detém cerca de 70% da reserva nacional hídrica e baixo contingente populacional, enquanto regiões como o semiárido nordestino e São Paulo sofrem com a escassez. Tal fato evidencia a urgência de gestões públicas eficazes para contornar essa situação.

Por conseguinte, o consumo exacerbado é fator contribuinte para a crise. O setor agropecuário é a atividade que exerce maior pressão sobre a água. É importante desconstruir esse pensamento que o uso doméstico acarreta a maior parte do uso hídrico e cobrar mudanças das grandes empresas de agronegócio.

Além disso, também é notório o desperdício e poluição nos aquíferos do país como o do Guarani que é utilizado sem os princípios de sustentabilidade, o qual mostra uma população despreocupada com a atual crise.

Levando em consideração tais aspectos, o Governo deve investir em políticas de manejo adequado dos recursos hídricos para as diversas regiões do Brasil com a parceria de profissionais do ramo e de inovações do setor tecnológico assistivo, além de elaborar leis efetivas para fiscalizar as empresas de agronegócio em relação a quantidade de água utilizada nos insumos. A educação também pode incluir na base comum curricular  uma matéria de sustentabilidade, além de palestras ministradas por biólogos para ensinar aos alunos a importância da prática de consumir o necessário de água e deixar o recurso para as gerações futuras. Ademais, a mídia pode auxiliar ao divulgar propagandas de conscientização e incentivo ao uso racional, e dessa forma, o país poderá aprender com a crise.