Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 23/08/2020
Engajamento popular. Essa é a melhor ação a ser desenvolvida por todos os cidadãos, a fim de superar a crise hídrica brasileira. Entretanto, tal prática não tem atingido seus objetivos devido à alienação social de uma parcela da população e à falibilidade estatal. Destarte, é irrefutável que ocorra uma alteração do comportamento letárgico vigente no corpo coletivo e uma remodelação dos projetos midiáticos e governamentais, com o intuito de desconstruir esse contexto áspero.
Nessa perspectiva, entende-se que o agravamento da crise hídrica brasileira é uma consequência direta da alienação de boa parte dos cidadãos. De acordo com a teoria da “Indústria Cultural”, alvitrada pelos filósofos frankfurtianos Adorno e Horkheimer, a mídia - por intermédio do empobrecimento dos conteúdos - nulifica a criticidade dos indivíduos, tornando-os inaptos a enfrentar óbices sociais. Sob esse viés, percebe-se que uma parcela dos sujeitos, alienada pela futilidade midiática preponderante, comporta-se apática diante do crescente desperdício de água no país. Tal postura é resultante da insipiência de tais pessoas em relação aos métodos de redução do consumo de água. Desse modo, verifica-se a urgência de ações afirmativas para mitigar esse contexto caótico.
Outrossim, constata-se que, a princípio, a Constituição Federal de 1988 assegura a todos os indivíduos multíplices direitos sociais e fundamentais. Não obstante, na prática, ao analisar a crise hídrica brasileira, percebe-se a concretização do conceito de “Cidadania de papel”, proposto pelo jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein. Tal ótica deduz que, embora o Brasil apresente leis consistentes, elas se limitam ao plano teórico - como garantia constitucional do acesso à água potável. Para fins de ratificação, cita-se a elevada concentração hídrica brasileira, diante da qual padecem os indivíduos que habitam locais afetados regularmente pela seca, tais com o Sertão Nordestino. Em síntese, o Poder Público, por assistir inerte ao agravamento da problemática, contribui para a perpetuação desse contexto caótico.
Urgem, portanto, ações sinérgicas entre os atores sociais, com o intuito de conter a crise hídrica brasileira. Para tanto, a mídia - principal canal de comunicação hodierno - deve desenvolver campanhas que, por meio de amplas divulgações, instruam a população acerca da importância da diminuição do consumo de água, a fim de que a postura apática supracitada seja superada. Ademais, compete ao Governo implementar, por intermédio de massivos investimentos, projetos realmente eficazes de distribuição da água, com o escopo de garantir a todos os cidadãos o acesso a esse recurso, indispensável à vida humana. Por fim, tais ações sociais serão o início de uma era na qual a sociedade, dotada de engajamento popular e apoio governamental, possa progredir.