Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 22/07/2020

Água: o agente da vida

No filme “Mad Max: A estrada da fúria”, estrelado por Charlize Theron, é retratado um futuro distópico no qual a humanidade se vê em uma irreversível crise hídrica. Nesse sentido, a trama foca nas guerras entre os povos pelo domínio das raras fontes de água, expondo como esse recurso natural é essencial para a sobrevivência. Essa realidade exposta pelo longa está relacionada ao Brasil atual, visto que a escassez hídrica ganhou espaço no cenário nacional devido à crise de abastecimento do Sudeste, em 2014, e ao agravamento da seca no sertão nordestino. Sendo assim, é mister entender a importância da água para o desenvolvimento social e como a visão capitalista moderna negligencia esse bem.

Em primeiro plano, menciona-se a disponibilidade de recursos hídricos como fator primordial para a prosperidade das civilizações. Diante dessa perspectiva, têm-se os egípcios e mesopotâmicos que, ao longo dos rios Nilo, Tigre e Eufrates, desenvolveram, ainda no segundo milênio a.C., sociedades altamente sofisticadas, pautadas na agropecuária e na navegação. Somada a eles, há a grandiosa sociedade asteca que, já no século XIII, desenvolveu um elaborado sistema de irrigação, estudado até os dias de hoje. Dessarte, em consonância com a ideia do filósofo Tales de Mileto, de que sem água tudo morreria, esse bem natural se mostra como agente propulsor do progresso de um povo.

Além disso, é importante compreender como a visão capitalista contemporânea contribui para acentuar os problemas hídricos do país. Nesse contexto, menciona-se a teoria da “Modernidade Líquida”, de Zygmunt Bauman, na qual é revelado que a vida, atualmente, é pautada no consumo. Logo, o sociólogo exibe o capital e a busca constante pelo lucro como as bases do corpo social. Dessa forma, a vivência é regida pelo imediatismo da ganância, não importando, às grandes corporações, a conservação dos recursos naturais, como a água, que é, assim, frequentemente, poluída e desperdiçada, se tornando um bem cada vez mais escasso.

Por conseguinte, medidas hão de ser tomadas, a fim de conter a crise hídrica atual. Primeiramente, o Ministério do Meio Ambiente, órgão que regulamenta a preservação ambiental no Brasil, deve prestigiar empresas que pratiquem a sustentabilidade. Isso seria possível por meio da parceria com ONGs e asseguraria a promoção do desenvolvimento sustentável. Ademais, a Secretaria Nacional de Justiça, a partir da cooperação com órgãos legisladores, precisa punir e fiscalizar, de forma mais rígida, os crimes de poluição e desperdício dos cursos d’água, honrando a participação nacional no Acordo de Paris, de 2015. Desse modo, garantir-se-ia uma vida mais justa e distante daquela de “Mad Max: A estrada da fúria”.