Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 06/08/2020
A célebre frase histórica da Civilização Egípcia, “O Egito é uma dádiva do nilo”, reflete a forte ligação existente entre os recursos naturais e o desenvolvimento das sociedades. Paralelamente, no Brasil, a água é um recurso essencial não somente para manutenção da vida, mas também um elemento substancial para o dinamismo econômico. No entanto, fatores como o desperdício e a má distribuição vem tornando esse recurso escasso, gerando graves crises, as quais impactam diretamente o desenvolvimento do País. Assim, faz-se necessária a intervenção do Poder Público no seu combate.
Nesse contexto, é essencial evidenciar que o Brasil possui os dois maiores aquíferos do mundo, o Alter do Chão e o Guarani, situação que contradiz as crises hídricas enfrentadas por parte do País ao longo dos anos. Em contraposição a isso, merece realce que a escassez desse bem natural está relacionada, muitas vezes, ao desperdício, seja durante a atividades do cotidiano, ao lavar o carro com mangueiras, seja durante o trajeto de distribuição, no qual parte da água é perdida. A título de ilustração, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40% da água é perdida antes de chegar às residências, tanto por vazamentos, quanto por ligações clandestinas, realidade que reflete a importância do consórcio coletivo e governamental na resolução dessa problemática. Além disso, o consumismo exacerbado também é uma forma de desperdício, tendo em vista a troca constante pelo mais moderno, que recai diretamente na exploração de recursos hídricos.
Em consonância a isso, é imprescindível salientar que a má distribuição hídrica no País acentua a sua carência, já que regiões com maior disponibilidade como a Amazônia, possui baixa densidade demográfica e o sudeste, com maior demanda possui poucos reservatórios, o que reflete a forte crise ocorrida em 2014 com o esgotamento do sistema cantareira. Sob esse viés, a concentração em setores que exigem alta demanda hídrica, como o agrícola, sobrecarrega ainda mais essas áreas vulneráveis, situação que afeta o atendimento de necessidades diárias, bem como interfere na disponibilidade de energia, já que as hidrelétricas limitam a produção com o esgotamento.
À luz dessas considerações,percebe-se a imprescindibilidade de mitigar as chances de crises hídricas, tendo em vista os prejuízos para a sociedade. Para isso, cabe ao Ministério do Meio Ambiente,em sinergia com a Sociedade Civil, promover medidas, por intermédio da melhor administração dos recursos hídricos, ao fazer a reutilização da água para tarefas do cotidiano, limitar o gasto, como o tempo de banho e a recorrente fiscalização e manutenção das redes de distribuição, bem como ampliar projetos de captação da água da chuva em áreas com escassez, por meio de cisternas ,com o fito de atenuar o desperdício. Assim,o Brasil aproveitará seus recursos, tal qual o Egito.