Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 11/08/2020

Diante das inúmeras situações vivenciadas pela sociedade hodierna, cumpre ressaltar o cenário desafiador em torno da água, uma vez que a associação do aumento da Pegada Ecológica com o uso indiscriminado desse recurso tem se refletido no ciclo hídrico, fomentando uma situação de crise . Para tanto, urgem medidas mais enérgicas da sociedade civil em concomitância com o Poder Público, visando amortizar esse imbróglio da realidade dos brasileiros.

Nessa perspectiva, é fulcral destacar o aumento da Pegada Ecológica, que representa a pressão de consumo das populações humanas sobre os recursos naturais, o que afeta diretamente a capacidade dos ecossistemas, seja em reproduzir recursos úteis, seja de absorvê-los. Ademais, constata-se essa realidade ao analisar, por exemplo, o desmatamento da Floresta Amazônica nos últimos anos, pois  tem influência tanto em aspectos regionais devido à diminuição do albedo e, por conseguinte, no aumento da temperatura média da região desmatada, quanto em termos nacionais em função da diminuição da evapotranspiração e na alteração do padrão de chuvas do país. Dessa maneira, é fundamental que a população esteja consciente das consequências dos seus atos, visando proporcionar para as próximas gerações condições adequadas para a vida.

Ainda nessa mesma perspectiva, é mister relacionar o uso indiscriminado da água, como a poluição de corpos hídricos por óleos e gorduras e o uso demasiado, com o pensamento equivocado de que esse recurso é infinito. Nesse sentido, é possível relacionar a ausência de cuidado com tal recurso com a teoria ‘Habitus’ do sociólogo francês Pierre Bourdier, já que considera que as realidades vivenciadas pelos indivíduos são internalizadas e, por fim, reproduzidas, sendo consideradas como um hábito, já que os cidadãos que possuem genitores que não usam conscientemente a água tendem a reproduzir essa ação. Logo, é imprescindível que novas atitudes sejam executadas para reverter essa problemática.

Portanto, é perceptível a necessidade de atos em prol da valorização dos recursos hídricos. Para isso, faz- se fundamental que o Poder Público, por meio do Ministério da Educação, promova debates e mesas-redondas periódicas nas instituições de ensino, sendo intermediadas por profissionais qualificados, tendo como público-alvo os estudantes e seus respectivos núcleos familiares. Tal ação tem o fito de esclarecer acerca da importância da água para os indivíduos, assim como incentivar seu uso consciente. Apenas assim, poder-se-á consolidar uma realidade em que o infortúnio da crise hídrica perca protagonismo, bem como ocorra conforme a teoria de Bourdier a criação de novos hábitos, favorecendo a diminuição da Pegada Ecológica.