Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 02/12/2020
Na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é retratada a fuga de Fabiano e sua família da forte seca do sertão nordestino, porque a escassez de água tornava todo o ambiente em um lugar inóspito. Fora da ficção, nota-se que tal situação não está tão distante da realidade brasileira, uma vez que muitas pessoas ainda não têm acesso à água em qualidade e quantidade adequadas. Desse modo, esse cenário antagônico é fruto tanto da falha educacional, quanto da omissão governamental.
Em primeiro lugar, é considerável a importância da educação na construção do ser humano. De acordo com Nelson Mandela, “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Logo, o sistema de ensino pode contribuir para a formação de hábitos mais sustentáveis com relação ao consumo de água. Contudo, as escolas têm negligenciado os seus papéis enquanto agente responsável pelo desenvolvimento dos adolescentes, visto que elas não têm trabalhado esse conteúdo nas salas de aula, o que dificulta a mudança de comportamento das crianças sobre o assunto.
Em segundo lugar, é preciso ressaltar que a negligencia governamental com essa questão é um agravante do problema. Segundo dados divulgados pelo G1, houve um aumento de 6,5 bilhões por metro cúbico de água tratada desperdiçada durante a distribuição no país, sendo que 38,3% desse número é perdido através de vazamentos em canos, erros de leitura dos hidrômetros, entre outros problemas relacionados a precariedade das infraestruturas de transportes e armazenamentos de água. Dessa forma, a insuficiência de investimentos do governo nos sistemas hídricos e de distribuição implica na diminuição da quantidade de pessoas que têm acesso à água tratada, porque grande parte dessa água é perdida antes mesmo de chegar na residência da população.
Portanto, medidas viáveis são necessárias para conter o avanço dessa problemática. Assim, necessita-se, urgentemente, que o Poder Público direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na elaboração de materiais didáticos, palestras e propagandas publicitárias no meio social e virtual, a fim de conscientizar e incentivar os jovens a cuidarem melhor da água, usando-a de forma racional. Nessa lógica, poder-se-á, em médio e longo prazo reverter esse quadro.