Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 19/04/2021

Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e a crise hídrica no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar os aspectos psicanalíticos e sociais que envolvem essa questão no país.

De antemão, vê-se que o Poder Público tem se especificado negligente ao não conscientizar a sociedade sobre a importância do uso sustentável dos recursos hídricos. Isso porque, sem essa ação, uma pessoa pode ter interesse de utilizar uma quantidade alta de água para fazer a limpeza de sua casa. Contudo, entendre que atitude essa pode contribuir para o desperdício tende a se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).

Além disso, enfatiza-se que há uma certa resignação social perante a crise hídrica. Como prova disso, percebe-se uma inércia de parte da população ao não lutar por assistência, visto que falta auxiliar financeiramente os agricultores que adotarem o sistema de gotejamento, o que pode gerar desperdício e, consequentemente, uma diminuição da disponibilidade de água. Análise os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos cidadãos, comprometendo, dessa forma, o senso crítico deles.

Constata-se, finalmente, que a crise hídrica deve ser solucionada. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização, priorizando palestras ministradas por profissionais da área ambiental, com o objetivo de informar a sociedade sobre a importância de se economizar água. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas, promovidas por organizações não governamentais, a fim de que essa problemática não seja banalizada, o que pode ser potencializado por intermédio do Ministério da Economia com auxílio financeiro aos agricultores que adotarem meios de economia de água , objetivando, com isso, evitar o desperdício. Desse modo, assim como na obra “Guernica”, seria possível “iluminar” a busca por soluções.