Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 04/06/2021
Karl Marx defendia, por meio do materialismo dialético, que a sociedade é um processo em constante transformação. Nesse sentido, um histórico de formação da identidade nacional marcada pela perspectiva colonial, ampliado por uma crescente conduta individualista, refletiu-se em um ambiente conivente com a despreocupação com o manejo hídrico sustentável. Em um contexto que, dessa forma, um direito social é utilizando de forma inconsciente.
Em primeiro lugar, cabe destacar o estigma social consequente da gênese da sociedade brasileira. A colonização do Brasil foi impulsionada por uma grave crise na Europa na busca por novos mercados. Logo, implantou-se uma lógica baseada na visão dos recursos naturais como mecanismos de obtenção de lucro, que se estendeu até o momento atual. Desse modo, a sistematização da visão mercantil sob o manejo hídrico sustentou um aparato correspondente a um preocupante dilema contemporâneo.
Em adição, deve-se considerar o impacto de uma conduta individualista na perpetuação do descompromisso com os recursos hídricos. Monteiro Lobato, por intermédio de seu personagem Jeca Tatu, traçou a índole do brasileiro como marcada pelo conformismo e comodismo. Essa postura, presente até os dias atuais, corrobora com a estruturação de um sistema propício a amenizar a carga de responsabilidade. Assim, a parcela civil considera esse um compromisso exclusivo do Poder Público que, visto que este representa um espelho da sociedade, muitas vezes apresenta um manejo corrupto, criando um ciclo de negligência.
Toda essa questão exibe, portanto, uma falha secular no sistema de abastecimento hídrico. Para reparar esse dilema é necessário que o Ministério da Educação implemente na matriz escolar desde os primeiros anos o estudo sobre o manejo ambiental sustentável. Para tal, deve utilizar de múltiplos recursos como palestras, debates, atividades e excursões que orientem sobre a importância e urgência de uma mudança por meio de informações concretas, incentivando sempre a visão crítica. Assim, visando promover uma geração consciente capaz de decisões cotidianas e pressões políticas que correspondem a um futuro responsável no combate a crises hídricas.