Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 11/06/2021

Na obra “Utopia”, do escrito inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, observa-se, na realidade contemporânea, o oposto do que o autor prega, uma vez que a crise hídrica brasileira tem apresentado barreiras que dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto do negligenciamento de políticas públicas e do censo comum dos proprietários das hidrelétricas. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Sob esse viés, ressalta-se que as usinas hidrelétricas tem colabrado com a diminuição da água, fato esse ocasionado pela baixa atuação de setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que caibam tais recorrências. Segundo Thomas Hobbes, pensador e teórico político, autor da obra “Leviatã”, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido a falta de atuação das autoridades, que, por não demonstrarem preocupação com a causa, continua ocorrendo o decréscimo do excedente hídrico, por conta da matriz energética existente, que gera impactos catastróficos no meio ambiente. Conforme dados publicados no G1, as hidrelétricas carecem de uma grande demanda de água, o que colabora, cada vez mais, para essa crise aumentar. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo destacar o pouco discernimento dos chefes de hidrelétricas, como promotor do problema. No contexto da Revolução Gloriosa de 1689, Isaac Newton, pensador inglês e criador das três leis da dinâmica, define, na terceira lei, que cada ação gera uma reação. Nesse sentido, é nítido que os grandes proprietários estão se preocupando apenas com os prejuízos financeiros, e não com a falta de água. Prova disso, são dados, novamente do G1, confirmando que a escassez hídrica tem aumentado devido as poucas chuvas e aos impactos ambientais, entre eles, os da usina. Tudo isso retarda a resolução do empecilho contribuindo para essa conjuntura.

Assim, medidas holísticas são necessárias para conter o avanço da problemática. Destarte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se que o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) - órgão responsável por formular e conduzir políticas para desenvolver, de forma integrada, a nação - implemente, junto aos proprietários das usinas, uma matriz energética predominante, renovável e de baixo impacto ambiental. Além disso, compete ao Ministério da Economia, junto aos donos das matrizes energéticas, buscar reverter esse pensamento obsoleto, que enxerga somente pelo lado lucrativo, e de maneira mais breve possível, a execute, podendo, assim, alcançar uma sociedade semelhante a da “Utopia” de Thomas More.