Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 02/08/2021

Em 1988, quando o Brasil passava por um processo de redemocratização, após a Ditadura Militar, o deputado Ulysses Guimarães iniciou sessões na Assembleia para a criação de um novo documento, a Constituição Federal. Nesse registro, ficou assegurado a todos um meio ambiente equilibrado, sadio a uma melhor qualidade de vida. Entretanto, devido à banalização da sociedade em relação ao consumo da água e à negligência das empresas desse setor, os recursos hídricos encontram-se em decadência. Dessa forma, deve-se analisar essas causas que corroboram a continuidade da problemática.

Diante desse contexto, é válido ressaltar a falta de um consumo consciente da água por parte da população brasileira. Nesse sentido, segundo Karl Marx, filósofo alemão, na sociedade, o bem-estar individual ocorre em detrimento do bem-estar coletivo, ou seja, as pessoas pensam no que será bom exclusivamente para elas, deixando as condições gerais da sociedade de lado. Assim, nota-se que o descuido individual, seja ele na demora de banhos ou torneiras ligadas desnecessariamente, por exemplo, pelo fato de ser praticado por grande parte da população, colabora para a crise hídrica no país recorrente na última década, gerando maiores dificuldades de controle para a gestão governamental.

Ademais, observa-se que as grandes empresas ligadas à recursos ambientais estão sujeitas a provocarem acidentes no meio ambiente, impactando na disponibilidade da água. Posto isso, a música do rapper brasileiro Criolo “Chuva Ácida” retrata os impactos ambientais relacionados às ações das empresas, que muitas vezes priorizam o corte de gastos e o lucro máximo ao invés de uma melhor qualidade do meio ambiente. De fato, percebe-se que o músico fez jus à canção, visto que, tempo depois após seu lançamento, a empresa Vale foi responsável por dois acidentes em Minas Gerais, ambos devido à falta de prevenção da companhia, sendo que um deles, pelo fato de ter atingido um dos principais rios de abastecimento de água potável do estado, ocasionou a falta de água mineral em diversos municípios. Dessa maneira, é notório que a negligência das empresas se deve, principalmente, pelo foco constante no lucro, apesar das falhas recorrentes resultarem em impactos ambientais e sociais, como a falta da água, recurso essencial para a sobrevivência humana.

Infere-se, portanto, a necessidade de tomar medidas cabíveis para solução dos desafios atrelados à atual crise hídrica. Desse modo, cabe ao Ministério do Ambiente intensificar a fiscalização nas empresas vinculadas a recursos naturais, de maneira direta ou indireta, por meio de pesquisas e levantamentos feitos por especialistas, a fim de impedir acidentes que estimulem uma maior escassez da água. Feito isso, espera-se encaminhar a sociedade em direção da proposta na Carta Magna de 1988, garantindo, assim, um meio ambiente equilibrado à população.