Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 03/08/2021

“No meio do caminho tinha uma pedra”. Esse verso do poema homônimo de Carlos Drummond pode ser associado a uma temática atual; já que, em meio a uma era de grandes avanços no país, a dificuldade de compreender os impactos da atual crise hídrica, visto uma gestão irresponsável do recurso funciona como uma “pedra” que dificulta o continuísmo do progresso brasileiro. Logo, faz-se necessário debater essa problemática, a fim de minimizá-la.

Diante de tal cenário, é válido ressaltar que os baixos níveis dos reservatórios de água no país decorrem de uma administração leviana, que baseada em ideais capitalistas -busca incessante pelo lucro- ignoram o limite do recurso, que na hodiernidade, reflete sua finitude. A logística por trás do setor hídrico no Brasil, aliado aos frequentes períodos de seca, desmatamento e aquecimento global proporcionam mais de 917 cidades em situação de crise, segundo dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. Ademais, em 2016 foi calculado uma perda de 38% da água potável nos sistemas de distribuição, equivalente à 7 mil piscinas olímpicas a cada dia, um gasto completamente desnecessário e que comprova a trivialização quanto à urgência de racionalizar esse patrimônio natural criando um quadro ambiental caótico que deve ser combatido.

Além disso, é mister salientar que mesmo diante o problema e suas fontes, o Governo e a população continuam banalizando o uso da água e sofrendo os impactos dessa irresponsabilidade. Cabe sinalar que a falta do recurso, ademais atinge o dia a dia dos cidadãos que sofrem com a seca, por exemplo, e já enfrentam dificuldades no acesso, interfere também na economia do país. Uma vez que, com a diminuição do nível dos rios, a exportação de commodites estão ocorrendo por meio de rodovias, aumentando a liberação de gases poluentes e congestionando estradas com altos índices de acidentes no trânsito. Portanto, nesse efeito dominó, o Brasil agride seu ecossistema e só piora as consequências que se tornam cada vez mais distantes de serem efetivamente solucionadas.

Assim, percebe-se que a despreocupação da nação quanto à crise hídrica atual é um imbróglio que necessita de mitigação. Logo, a fim de minimizar o consumo frívolo da água e os efeitos de tal planejamento, o Governo, por meio de verbas recuperadas de operações contra corrupção, como a “Postal Off”, deve investir em propostas que regulamentarizem uma distribuição e consumo regrado pelas empresas e pela população. Dessarte, o pagamento de multas em situações de uso que extrapolem o teto imposto seria uma opção cabível, já que, a sociedade atual se movimenta em torno da lucratividade e acúmulo de capital. Dessa forma, será possível remover as pedras drummondianas e garantir o progresso da nação tupiniquim.