Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 05/08/2021

No livro ‘‘A República’’, do filósofo Platão, o autor idealiza uma civilização na qual todos os indivíduos trabalham em busca da harmonia, ou seja, do bem comum. Infelizmente, a crise hídrica presente nos dias atuais afasta o Brasil dessa sociedade utópica, uma vez que há não só o uso excessivo da água no espaço agropecuário, como também o comportamento humano maléfico em relação ao meio ambiente. Diante disso, é importante analisar os aspectos que envolvem essa questão no país para que se busquem formas de se resolverem esses impasses.

Sob tal ótica, ressalta-se que, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 2,2 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável. Nessa perspectiva, torna-se evidente o consumo desigual desse recurso natural na sociedade, haja vista que as grandes empresas do agronegócio, visando o lucro, usufruem de quantidades excessivas da água, enquanto essa poderia ser utilizada para salvar vidas. Não é de se estranhar, no entanto, que a agropecuária é a maior consumidora de água atualmente, responsável por 69% da retirada anual de água no mundo, segundo a própria ONU.

Ademais, é mister salientar que o individualismo também é responsável pela crise hídrica presente nos dias atuais. Isso ocorre porque, conforme o escritor José Saramago propõe, em seu livro ‘’Ensaio sobre a cegueira’’, há uma ‘’cegueira moral’’ presente na conduta de muitas pessoas, o que impede uma valorização de interesses benéficos a coletividade. Dessa forma, ações humanas como o desperdício de água, desmatamento, uso inadequado do solo e dentre outras contribuem para a escassez desse líquido vital para o planeta, gerando consequências tanto no âmbito social quanto no ambiental. Esse contexto demonstra, então, um quadro social caótico o qual precisa ser combatido.

Portanto, tendo em vista a problemática debatida, fica evidente que medidas devem ser tomadas. Cabe, então, ao Governo Federal, em conjunto com o Poder Legislativo, por meio de uma alteração na lei vigente, impor um determinado limite legal do uso da água a cada hectare de terra, sujeitando o responsável a pagamento monetário e perda do terreno, objetivando reduzir o gasto excessivo desse recurso natural pelas grandes indústrias agropecuárias. Além disso, o Ministério do Meio Ambiente, por intermédio das redes sociais, deve criar campanhas socioeducativas acerca da importância do consumo consciente da água e das consequências da degradação do ecossistema do planeta, a fim de influenciar a população à valorização desse fluido. Assim, será possível aproximar o Brasil da sociedade utópica proposta por Platão.