Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 04/08/2021

Na teoria “Banalidades do Mal” da filósofa Hannah Arendt, a autora analisa o comportamento dos indivíduos diante dos males que atingem a sociedade e os motivos que levam à aceitação desses. De maneira análoga, a atual crise hídrica se encaixa nesse contexto filosófico, visto que pode ser considerado um impasse para o avanço da sociedade brasileira. Desse modo, faz-se necessário discutir a respeito das causas e consequências desse obstáculo.

Nesse viés, vale ressaltar o livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, que relata os desafios de uma família do sertão nordestino diante da seca e desigualdade social. Não distante da ficção, o Brasil apresenta uma grave crise hídrica na contemporaneidade, levando várias regiões a sofrerem com a falta de água. Um dos fatores contribuintes para essa situação é a má gestão do governo, que considerou os recursos hídricos como inesgotáveis, além disso, a negligência da população no consumo exagerado de água também afetou o problema da seca. Um exemplo disso é que, segundo o site “G1”, no período de 2012 até 2020, a parte mais populosa do país perdeu 56 trilhões de litros de água por ano. Dessa forma, esse quadro urge mitigação.

Como consequência, a crise hídrica gerou um aumento da desigualdade social. Isso ocorre, pois as pessoas que vivem em regiões com pouco abastecimento de água possuem dificuldades para  praticar atividades comuns do dia a dia, como tomar banho, cozinhar e, principalmente, para manter a própria sobrevivência. Nesse contexto, vale citar o conto “A terceira margem do rio”, de Guimarães Rosa, podendo considerar os indivíduos sem acesso à água como localizados na terceira margem, ou seja, excluídos da sociedade por não desfrutarem dos mesmos direitos que o próximo. Não é de se estranhar, portanto, que, segundo o jornal “Estado de São Paulo”, 2,6 bilhões de indivíduos não possuem acesso à água tratada. Assim, observa-se um cenário de caos social que precisa ser combatido.

Diante dessa realidade, evidencia-se a necesidade de medidas para combater a atual crise hídrica. Para tanto, é necessário que o Estado, por meio de verbas advindas de operações contra a corrupção, como a Lava Jato, invista na gestão dos recursos hídricos e planeje reformas para levar água tratada a um maior número de pessoas, a fim de diminuir os impactos da seca na sociedade. Assim, o Brasil tornar-se-à um país mais justo e plural.