Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 06/08/2021

O romance indianista “Iracema”, de José de Alencar, evidencia o Brasil idealizado, sem problemas, metaforizado em uma narrativa épica. Entretanto, tal narrativa não está presente no atual contexto social brasileiro, pois a questão da crise hídrica no Brasil comprova não só a negligência governamental, como também a o individualismo da sociedade. Diante disso, medidas são necessárias para diminuir os impactos da temática.

Nesse viés, o livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, retrata as dificuldades vividas por uma família que mora no sertão nordestino devido à seca. Fora da ficção, na atualidade, o cotidiano de diversos habitantes é afetado devido à falta de água na região. Assim, a carência de obras públicas que garantam que regiões carentes do país recebam esse líquido vital prejudica o bem estar da população: enquanto áreas nobres são privilegiadas com esse recurso em abundância, a periferia fica, em grande parte, sem acesso à água. Logo, o que se nota, então, que esse quadro é contrário à Carta Magna que, em seu Artigo 5° garante igualdade a todos os cidadãos brasileiros. Desse modo, por ser uma situação anômala a Constituição Federal, é fundamental que sejam tomadas ações para modificar essa problemática.

Ademais, é válido ressaltar que a filosofa Hannah Arendt, em seu livro “Eichmman em Jerusalém”, trabalha o conceito de “banalidades do mal”, em que se refere a passividade das pessoas frente aos problemas que assolam a sociedade. De maneira análoga, um dos grandes fatores da crise hídrica é a má gestão da população ao lidar com esse recurso. Assim, muitas pessoas, por terem com abundância, não valorizam esse líquido vital e o desperdiçam em ações do cotidiano ou contribuindo para a poluição de mananciais, como com o descarte de lixo incorreto. Para ilustrar isso, de acordo com a Folha de São Paulo, quase 40% da água potável no país é desperdiçada. Esse dado ilustra a necessidade da mudança desse quadro caótico na nação tupiniquim.

Portanto, medidas são necessárias para minimizar a questão da crise hídrica no Brasil. Cabe, então, ao Estado criar obras de infraestrutura para a chegada de água em regiões mais carentes, por meio de verbas advindas de operações contra a corrupção, como a Lava-Jato, a fim de garantir o acesso a esse recurso a todos brasileiros. Além disso, é dever do mesmo órgão promover campanhas que incentivem a redução do consumo do líquido vital, por intermédio de propagandas no horário nobre, em canais, como a Rede Globo, com o objetivo de incentivar a população a utilizar o recurso com mais consciência. Com essas medidas, o Brasil se aproxima da utopia de José de Alencar.