Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 06/08/2021

O romance “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, retrata as dificuldades da seca no sertão nordestino enfrentadas por Fabiano e sua família. No entanto, fora do romance, a seca é um problema enfrentado no Brasil e está associada à má administração das reservas naturais disponíveis, o que resulta na crise hídrica atual. Nesse sentido, aprender com esse momento de crise hídrica requer uma boa gestão pública que garanta o acesso à água para a população e também uma política que atente-se mais aos crimes de degradação ambiental.

A princípio, sabe-se que é um direito do cidadão ter acesso à saúde, bem-estar e alimentação, como visa o artigo sexto da Constituição de 1988. Entretanto, a falta de acesso à água impede que os direitos básicos dos cidadãos, os quais são afetados com a desidratação, com a precariedade sanitária do ambiente em que vivem e dos alimentos que consomem, sejam alcançados. Outrossim, esse problema está diretamente vinculado à má administração pública, visto que o Brasil possui uma grande reserva de água em seu território, que corresponde a 12% da água doce mundial, segundo a Agência Nacional da Água (ANA).

Ademais, além da necessidade de se atender às demandas de água da população, o combate às atividades responsáveis por degradar a natureza é uma atitude que influenciaria diretamente no controle da crise hídrica. Isso porque, sabe-se que o desmatamento de grandes florestas e de matas ciliares, em conjunto com a poluição dos rios e lençóis freáticos, geram a redução das chuvas, do volume dos rios e inviabiliza o uso de reservas hídricas devido à poluição. A esse respeito, de acordo também com a ANA, 70% do consumo de água no país está vinculado à atividades agropecuárias, sendo essas as principais responsaveis também pelos impactos ambientais.

Portanto, visando impedir que a crise hídrica de estenda e tenha chances de se repetir, faz-se necessário que o Estado dê ênfase em suas medidas de controle aos impactos ambientais e programas que levem água para o uso individual de cada cidadão. Assim, cabe ao Ministério do Meio Ambiente priorizar a fiscalização e julgamento dos crimes ambientais, isso porde ser feito por meio da criação de um aplicativo, o qual facilite a denúncia de crimes ambientais por parte da população e permita o arquivamento das provas desses crimes, para dar agilidade à justiça ambiental. Além disso, priorizar o investimento em pesquisas de universidades federais relacionadas com o tratamento eficaz e econômico da água e de formas de escoamento sustentáveis da água para melhor atender às cidades que mais tem dificuldade nesse acesso, são medidas que reduziriam a crise hídrica e certamente garantiriam uma vida digna a toda a população.