Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 19/08/2021
O jornalista Gilberto Dimenstein produziu a obra " Cidadãos de Papel", na qual o autor define o termo como indivíduo que, apesar de possuir direitos na legislação, nao os vivencia devido à subtração destes pela esfera governamental. Nesse sentido, essa definição pode ser empregada em diversos contextos brasileiro, como a atual crise hídrica que assola a população em diferentes regiões do país. Diante disso, é imprescindível enunciar o aspecto sociocultural e a negligência pública como pilares fundamentais da chaga.
Em primeira análise, torna-se evidente o impacto do fator cultural no uso dos recursos hídricos disponíveis. Sob tal perspectiva, é oportuno assinalar que, conforme o sociólogo Immanuel Kant, ser ético é tomar ações que contribuam para a sustentabilidade social. Nessa lógica, o desperdício de agua potável, um hábito enraigado na sociedade, vai contra a ética kantiana ao promover a falta desse recurso fundamental. Dessa forma, o uso da água de maneira irresponsável, principalmente na agricultura e na indústria, impacta diretamente a população: deteriorização da qualidade de vida, cerceamento da dignidade. Dessarte, discorrer criticamente acerca do desgaste nas reservas hídricas é o primeiro passo para a consolidação de um país equânime.
Ademais, é cabível pontuar que a insuficiência governamental corrobora a problemática. A esse respeito, o filósofo grego Aristóteles afirmou que o objetivo da política deve ser o de promover a vida digna aos cidadãos. Sob esse viés, a conjectura atual contrasta com o conceito aristotélico de gestão pública, uma vez que, o Estado não fiscaliza de forma contundente o uso do patrimônio hídrico nacional nas lavouras e parques industriais, que frequentemente é realizado sem dimensionamento e atenção aos impactos ambientais. Assim, evidencia-se a necessidade de políticas públicas que garantam a sustentabilidade no uso da água pelos diferentes setores da sociedade.
Infere-se, portanto, que essa vergonha nacional necessita ser solucionada. Logo, a Mídia, por intermédio das emissoras televisivas, irá levar a discussão acerca da gestão dos recursos hídricos aos representantes da Procuradoria-Geral da União. Essa medida ocorrerá por meio de um projeto estatal, em parcerias com as emissoras de televisão, com o objetivo de mostrar as reais consequências do despedício e apresentar uma visão crítica a respeito da distribuição social da água. Em adição, o Congresso Nacional deve estudar a criação de leis mais rígidas que normatizem o uso da água pelo agronegócio e pelo setor industrial. Feito esses pontos, com a ética proposta por Kant e a justiça de Aristóteles, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.