Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 17/08/2021
O filme " Mad Max: Estrada em fúria" fala sobre um futuro pós-apocalíptico, o qual a água torna-se o bem mais valioso e procurado do planeta. Fora da ficção, esse cenário não se encontra distante, visto que a crise hídrica afeta diversas áreas da Terra. Esse cenário é fruto, principalmente, da negligência governamental e do consumo exagerado da população. Fica claro que é necessário avaliar os fatores supracitados e as medidas que devem ser tomadas para reverter esse quadro.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que a omissão do poder público impulsiona esse revés. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, no livro “Modernidade Líquida”, Instituições Zumbis são aquelas que deixam de cumprir seu papel social. Nesse sentido, pode-se afirmar que o Ministério da Infraestrutura é uma dessas instituições, pois, embora seja responsável por fornecer água potável e tratar o esgoto, não exerce essas funções de forma efetiva. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Saneamento, apenas 10% do esgoto da região norte recebe o tratamento adequado. Por conseguinte, há o descarte indevido e a contaminação da água disponível. Dessa forma, nota-se que, enquanto a inércia das autoridades persistir, a crise hídrica continuará atingindo a população.
Outrossim, é lícito salientar que o consumo irresponsável de água é um dos fatores da crise hídrica que ocorre no Brasil. Consoante ao jornalista e escritor Daniel Goleman, em sua tese sobre “Inteligência Ecológica”, há uma ilusão de que as ações na vida material não terão grandes consequências. Contudo, é notório que a falta de conscientização da população causa diversos impactos ambientais - como a diminuição do nível dos reservatórios, a impermeabilização do solo, que dificulta a filtração da água, a contaminação de rios e aquíferos com o descarte irregular de lixo, entre outros. Nesse sentido, é importante que essa mentalidade seja revertida, para que não haja mais crises hídricas no país.
Torna-se evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que haja a mitigação da problemática. A princípio, o Ministério da Infraestrutura deve, em conjunto com as prefeituras, criar estações de tratamento de esgoto e água. Isso pode ser feito por meio de parcerias público-privadas com empresas especializadas no assunto, a fim de que rios e aquíferos não sejam contaminados pelo descarte irregular de esgoto. Ademais, é importante que o Ministério da Educação - um dos responsáveis pela formação do senso crítico do indivíduo - inclua na base curricular aulas sobre responsabilidade ambiental. Tal medida deve ser feita por intermédio de palestras com ambientalistas e biólogos. Assim, desde a infância, o corpo social terá a consciência de preservar a água e cenas como a do filme “Mad Max” ficarão apenas na ficção.