Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 02/09/2021
Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a atividade que mais consome água é a agropecuária, que é responsável por 70% da água utilizada pelo ser humano, seguida da indústria com 19% e do uso doméstico com 11%. Tais números revelam a complexidade dos problemas relacionados a crise hídrica, que vem causando diversos impactos negativos no ambiente. Com isso, emerge um desafio sério, em virtude da falta de logística no reaproveitamento de água nos processos de irrigação e da ausência de políticas públicas efetivas.
Sob esse viés, pode-se apontar como fator determinante a falta de logística para o reaproveitamento de água nos processos de irrigação das lavouras. Para o âmbito geográfico - que entre outras coisas, estuda a hidrografia, a agricultura é uma grande comprometedora da qualidade dos recursos hídricos, considerando que a irrigação escoa componentes químicos para os rios e lençóis freáticos, podendo causar eutrofização e contaminação de aquíferos. Isso compromete a água doce e o ecossistema ao redor.
Além disso, outro fator influenciador é a ineficiência governamental na busca pela diminuição do desperdício. Segundo o pensamento de Hannah Arendt, é preciso preservar o espaço público para que a cidadania seja assegurada. Porém, tal premissa não ocorre sem investimentos em saneamento básico, visto que a falta do mesmo é a maior causa de desperdício de água nas cidades.
Portanto, faz-se necessário uma intervenção. Para isso o Poder Público deve investir no reparo da crise hídrica, por meio da destinação de verbas e a criação de uma agenda específica para o tema, a fim e reverter a supremacia do interesse financeiro dos produtores e a inércia Estatal. Tal ação pode, ainda, contar com consultas públicas para entender as reais necessidades da população, e a divulgação de mídia em massa para acompanhar o processo de tais ações. Assim, através de uma boa articulação de políticas públicas, a crise hídrica será superada.