Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 23/09/2021
O Realismo, movimento literário brasileiro, surgido no século XIX, propôs a investigação do comportamento humano e denunciou problemas sociais. Na contemporaneidade, é relevante recuperar estes princípios, uma vez que a crise hídrica persiste atrelada à realidade do país, seja pela falta de consciência ambiental por parte da população, seja pelos interesses capitalistas impermeados na sociedade. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias neste âmbito de modo a garantir a disponibilidade deste recurso vital.
A princípio, vale destacar que a ausência de uma sociedade ambientalmente consciente contribui para que recursos fundamentais para a vida humana, como a água, se tornem escassos. Isso se deve à despreocupação por parte majoritária da população com o futuro e, consequentemente, em economizar e reduzir os gastos diários no presente. Tais ações na atualidade corroboram para que em alguns anos a sociedade se torne semelhante à narrada na curta-metragem “Carta escrita no ano de 2070”. Na obra, é retratada uma realidade em que, por razão da escassez de água, o mundo se torna inóspito e a existência da humanidade é colocada em risco. Contudo, caso as condições atuais se mantiverem, o quadro representado no filme virá muito antes de 2070.
Em segundo plano, é relevante mencionar que os interesses capitalistas intrínsecos no meio social são percursores de um quadro em que, com o objetivo de enriquecer, quaisquer condutas são válidas. Nesse sentido, ações como o desmatamento com o intuito de promover a pecuária, não consideram os efeitos no ciclo hidrológico que estas práticas podem gerar e que, a longo prazo, a captação de água para o abastecimento da população também será prejudicado. Deste modo, tais atitudes, sem escrúpulos, podem ser ilustradas pela música “Sal da Terra” do cantor Beto Guedes que diz que apesar da “Terra ser o mais bonito dos planetas, estão maltratando-a por dinheiro” e gerando, assim, consequências inestimáveis para ela e para os próprios habitantes terráqueos.
Em virtude dos fatos mencionados, é fundamental que medidas sejam tomadas para garantir a abundância do líquido vital para as próximas gerações. Portanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em parceria com as Secretarias de Educação dos municípios, promover a conscientização ecológica dos alunos, ainda em idade escolar, por meio da criação de oficinas recreativas nas instituições que sejam ministradas por ecologistas, de modo a ensinar as crianças sobre a necessidade de economizar os recursos naturais para assegurar a existência destes. Desta maneira, será formada uma geração consciente quanto aos próprios gastos e desperdícios, e instruídos para lutar contra a degradação do meio ambiente.