Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 16/10/2021

Olá, corretor, utilizei um tema semelhante de outra plataforma: “Crise hídrica no Brasil”.

De acordo com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, ao hipervalorizar o conhecimento racional, o eu-moderno, despreza sua face primitivo-animal. Em conseguinte, em busca da saciação de desejos racionais, o indivíduo se vê no direito da hiperexploração de recursos naturais que não lhe percetencem. Dessa forma, percebe-se a acentuação do deficit hídrico nacional, ocasionado, majoritariamente, pela mentalidade estrutural histórica e pela função brasileira no mundo neo-liberal.

Convém ressaltar, primariamente, que o problema advém, em muito, do contexto histórico nacional. Dessa forma, segundo o historiador Boris Fausto, em sua obra “História do Brasil”, corriqueiramente, no Brasil, observa-se a sobreposição de interesses individuais minoritários em relação ao bem comum. Assim, em busca do sucesso capitalista, a banca ruralista, se vê no direito intrínseco de utilizar excessivamente a agua doce verde-amarela. Logo, mostra-se nítida a urgente necessidade de regulação desse grupo historicamente dominante.

Ademais, deve-se salientar o papel do Brasil na divisão internacional do trabalho como fator intensificador da problemática. Desse modo, de acordo com o geógrafo Jurandyr Ross, a economia nacional é sustentada, em grande parte, pelo extrativismo agro-vegetal direcionado ao mercado externo. Portanto, ao tentar maximizar sua produtividade, o grande latifundiário relativiza os impactores de suas ações, associando-os a uma necessidade econômica em prol de nacional-desenvolvimentismo.

Percebe-se, por fim, a intrínseca relação entre o ruralismo brasileiro e a escassez hídrica. Logo, é imprescindível que, o Estado, através de reformas legislativas, diminua a influência e intensifique a vigilância à esse grupo hegemônico, para que, assim, a preservação do limnociclo sul americano torne-se uma realidade, cada vez, mais palpável.