Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 20/10/2021

A Organização das Nações Unidas reconhece o acesso à água limpa e segura como direito essencial a todos os seres humanos, contudo isso não tem sido colocado em prática em muitos lugares do Brasil por causa da crise hídrica. Essa problemática tem como principal responsável o agronegócio e traz graves consequências à sociedade, que deveria ter esse direito como uma garantia legitimada.

O documentário “Cowspiracy” aborda os grandes impactos ambientais que o uso irresponsável dos recursos que deveriam ser renováveis, como a água, traz por meio da utilização para a prática da agricultura. Essa atividade é o pilar da economia brasileira e sua importância é inegável, entretanto a forma como está relacionada com a crise hídrica que o país enfrenta é pouco discutida. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cinquenta e dois por cento da água captada no Brasil é destinada para a agricultura irrigada, enquanto muitos brasileiros não tem acesso nem mesmo à água potável no dia a dia, evidenciando a desigualdade na distribuição hídrica.

Em consequência dessa crise hídrica, a população enfrenta muitas dificuldades há anos e é submetida a uma realidade que vai contra à legitimada na Declaração Universal dos Direitos Humanos, não tendo saneamento básico adequado, racionalizando água para conseguir consumir diariamente a quantidade necessária para manter uma vida saudável e até sendo obrigada a pagar valores exorbitantes para ter acesso a um recurso que deveria ser direito seu. Esse quadro é vivido há décadas pelos brasileiros, exemplo disso foi a crise que São Paulo enfrentou em 2014 com o esvaziamento de um importante reservatório de água, deixando milhares de pessoas desalentadas. A perpetuação desse problema  comprova a falta de ações eficazes para o fim da crise hídrica no Brasil.

Torna-se evidente, portanto, que é papel do governo, na figura do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, junto com os órgãos competentes, investir em políticas públicas voltadas para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável, objetivando a redução do uso de água para irrigação, além do investimento em pesquisas para criação de organismos geneticamente modificados que precisem de uma menor quantidade de recursos hídricos para o seu cultivo. É fundamental também, o monitoramento por parte do Ministério para que a porcentagem de água ofertada para a população seja maior do que a parcela destinada à agricultura, com multas aos agricultores que interferirem nessa divisão e investindo esses valores para a oferta de água potável às comunidades mais carentes, de forma que a distribuição desigual desse recurso deixe de ser uma realidade no Brasil.