Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 20/10/2021

“A essência dos direitos humanos é ter acesso a direitos”. A frase da pensadora Hannah Arendt elucida que a oportunidade de desfrutar de benefícios sociais é algo que todo ser humano deveria ter. Contudo, a realidade vivida por centenas de brasileiros é diferente daquela que Hannah descreveu, porque eles não têm acesso a água potável para suprir suas necessidades básicas. Tal fato é proveniente da mentalidade social como também da inobservância do poder público.                                                                      Nessa lógica, é válido mencionar como as prerrogativas sociais possuem papel significativo para consolidação do problema. Segundo Karl Marx, no contexto do materialismo histórico, a natureza é vista como subserviente ao sistema capitalista. Sob esse viés, a sociedade, inconscientemente, acredita que pode usar a água sem nenhum tipo de conservação ou cautela, para que os padrões de consumo e mercado se mantenham, o que corrobora com a escassez do recurso e que menos pessoas tenham acesso.                                                                                                                                                                                                    Ademais, é imprescindível analisar a atuação estatal no contexto do óbice. Nesse sentido, pode-se citar a negligência estatal com o caso da transposição do rio São Francisco, que deveria melhorar a vida de milhares de nordestinos, os quais enfrentam a seca constantemente. Tal obra já custou mais de 12 bilhões de reais e ainda não ficou pronta, o que revela que o Estado, nessa conjuntura, nada faz para adiantar a conclusão do projeto, se mostrando omisso à sociedade.                                                                 Diante do que foi exposto, urge a intervenção no cenário. Sob essa ótica, cabe ao Ministério da Educação a criação de políticas públicas, por meio de palestras, que iriam conter o motivo da necessidade da preservação da água para as gerações futuras, destinadas a crianças nas instituições de ensino, com o fito de que elas se tornem indivíduos conscientes e empáticos. Além disso, o governo federal deve promover uma fiscalização na obra da transposição, por meio de agentes do poder público, sendo que eles teriam a tarefa de observar o cumprimento dos prazos, a fim de que a finalização aconteça e que os brasileiros desfrutem do direito à água.