Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 11/11/2021
No sistema capitalista, a produção depende da obtenção de produtos primários em escala. Essa dinâmica, muitas vezes, ocorre de modo desproporcional ao tempo de manutenção da natureza gerando desequilíbrios ambientais. A crise hídrica, por exemplo, é um problema que faz parte da realidade brasileira, seja pela insuficiência das leis, seja pela falta de controle sobre o uso da água, exigindo que o país aprenda com seus efeitos.
A partir dessa análise, destaca-se o papel do Estado entre as causas do problema. Na perspectiva filosófica de John Rawls, um governo ético atenta-se à resolução de conflitos que impedem o equilíbrio e o bem-estar social. Contudo, percebe-se que, no Brasil, as autoridades políticas destoam do ideal exposto, haja vista que a atual legislação que regulamenta a manipulação da água é insuficiente para conter seu uso abusivo. Como exemplo da situação tem-se a exorbitante quantidade anual despendida de água, sobretudo pelo agronegócio e as indústrias têxteis, que compromete a disponibilidade do recurso no país e precisa ser revista.
Ademais, cabe destacar a falta de fiscalização para conter o desperdício. Segundo Max Weber, ação social é uma conduta que, condicionada pelo contexto histórico, também impacta coletivamente o meio em que se insere. Nesse sentido, o uso irracional da água pode ser encaixado na teoria do sociólogo, uma vez que é fomentado pela fraca vigilância em processos produtivos com expressiva demanda do recurso. Como consequência, esse processo permite o desperdício e o uso impróprio de água, acentuando os efeitos da escassez provocada pelas secas naturais em certos períodos do ano.
Entende-se, portanto, que o país precisa ter mais responsabilidade sobre o uso a água, evitando práticas favoráveis à novas crises hídricas. A fim de atacar uma das causas do problema, o Governo Federal, Poder Executivo no âmbito da União, pode, por meio de um projeto de lei, enrijecer as punições aos infratores, além de ampliar a fiscalização por órgãos competentes nos setores primário e secundário de produção, com vistas a estimular a utilização mais consciente da água em solo nacional. Desse modo, com base na teoria rawlsiana, o país aprenderá importantes lições com a atual crise hídrica e minimizará as chances de privação do recurso.