Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 22/06/2022

O livro “Memorial de Maria Moura”, de Rachel de Queiroz, imprimiu, por meio da força da mulher, as injustiças sociai, políticas e morais da época. No entanto, no contexto atual, percebe-se que, mesmo superados alguns aspectos referentes à injustiça social, permanecem as iniquidades da má distribuição de recursos, como a água pótavel para a sociedade. Nesse sentido, nota-se uma imagem de omissão e de desleixo que acarretam as desigualdades no país.

Essa assertiva deriva, em especial, da pífia ação do Poder Público nessa área. O livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, ilustra o triste cotidiano de uma família que sofre com as adversidades impostas pela seca em tempos de estiagem. Fora da ficção, tal mazela não é diferente, uma vez que uma parcela significativa da coletividade padece com essa irregular distribuição da água e, sobretduo, a ausência de qualidade do produto. Com isso, os indivíduos mais subalternos recolhem todo o azedume dessa agrura, haja vista que o IBGE aponta que 37 em 100 brasileiros vivem em regiões onde inexiste abastecimento de água pótavel. Logo, mostra-se um governo ineficiente nessas conjunturas.

Por sua vez, outro vetor é o papel apático do olhar coletivo nessa temática. Nessa perspectiva, a obra “Os Retirantes”, de Cândido Portinari, aborda o tema da migração nordestina por causa da seca, um povo que deixa seu lugar de origem em busca de melhores condições de vida. Contudo, em alguns casos, essa migração não é bem sucedida, seja pelo preconceito da sociedade desse novo local, seja pela desigualdade social. Desse modo, percebe-se uma coletividade despreocupada com as mazelas sociais, pois em vez de acolher e ajudar ao próximo, no âmbito da crise hídrica, preferem excluí-los do olhar coletivo. Dessa maneira, é fulcral que os indivíduos reformulem sua atuação com o fito de haver melhorias.

Infere-se, portanto, que, nessa problemática, o Estado deve tonificar os investimentos nessa área, por meio de verbas destinadas a essa esfera, ampliando as redes hidráulicas e promovendo uma melhor distribuição desse recurso, a fim de barrar o percurso dessa irregularidade. Dessa forma, para que a obra de Rachel de Queiroz deixe de ser uma realidade brasileira.