Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?
Enviada em 07/11/2022
O livro “Memorial de Maria Moura”, de Rachel de Queiroz, imprimiu, por meio da força da mulher, as injustiças sociais, políticas e morais da época. No entanto, no contexto atual, percebe-se que, mesmo superados alguns aspectos referente à injustiça social, permanecem as iniquidades da má distribuição de recursos, como à água potável para a sociedade. Nesse sentido, nota-se uma imagem de omissão e de desleixo que acarretam as desigualdades no país.
Essa assertiva deriva, em especial, da pífia ação da máquina estatal nessa área. O livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, ilustra o triste cotidiano de uma família que sofre com as adversidades impostas pela seca em tempos de estiagem. Fora da ficção, tal mazela não é diferente, uma vez que a irregular distribuição da água, o seu mau gerenciamento e, sobretudo, a ausência de qualidade do produto em certas regiões corroboram o aumento da crise hídrica. Com isso, a coletividade mais vulnerável recolhe todo o azedume dessa agrura, haja vista que o IBGE aponta que 37 em 100 brasileiros vivem em regiões onde inexiste abastecimento de água potável. Logo, mostra-se um governo ineficiente nessas conjunturas.
Por sua vez, outro vetor é o papel apático do olhar coletivo nessa temática. Nessa perspectiva, a obra “Os Retirantes”, de Cândido Portinari, aborda o tema da migração nordestina por causa da seca, um povo que deixa seu lugar de origem em busca de melhores condições de vida. Contudo, em alguns casos, essa migração não é bem sucedida, seja pelo preconceito da sociedade desse novo local, seja pela desigualdade social. A esse respeito, percebe-se uma coletividade despreocupada com as mazelas sociais, pois em vez de acolher e de ajudar ao próximo preferem excluí-los do olhar coletivo. Dessa forma, a ausência de empatia e o silenciamento dessa esfera contribuem para o negligenciamento estatal.
Infere-se, portanto, que, nessa problemática, o Estado deve intensificar os investimentos nessa área, por meio de verbas destinadas para a solução dessas mazelas, ampliando as redes hidráulicas e promovendo uma melhor distribuição desse recurso, a fim de barrar o percurso da desigualdade permanente no país. Desse modo, para que a obra de Rachel de Queiroz deixe de ser uma realidade brasileira