Água: aprenderemos com a atual crise hídrica?

Enviada em 18/05/2024

Embora a Constituição Federal de 1988 assegure um meio ambiente ecologicamente equilibrado para todos, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, pricipalmente no que diz respeito à preservação da água. Isso se deve à omissão estatal, bem como ao silenciamento social sobre os que mais sofrem com a ausência de água.

Primeiramente, vale descatar que a ausência de políticas públicas para um meio ambiente sustentável agrava a crise hídrica no país. Nesse cenário, Zygmunt Bauman afirma, em sua obra " Modernidade Líquida", que alguns instituições, principalmente as do Estado, perderam suas funções sociais, mas conservaram suas formas a qualquer custo e se configuram, hoje, como “instituições zumbis”. Nesse interím,órgãos públicos vinculados ao Ministério do Meio Ambiente, ainda funcionam fisicamente,mas não atendem aos anseios da sociedade como deveriam, ou seja, cumprem o papel das “instituições zumbis” de Bauman. Um exemplo dessa omissão é a fragilidade dos instrumentos de gestão dos recursos hídricos, além da não adoção pelo governo estadual de medidas mais severas de redução de consumo ou uso abusivo da água. Dessa forma, enquanto as instituições reponsáveis pela preservação dos recursos hídricos não praticarem sua função social a crise hídrica perpetuará na vida do brasileiro.

Ademais, é necessário destacar que o debate sobre o racismo ambiental é exposto em momentos de crise, inclusive a hídrica. Nesse viés, Jean-Paul Sartre afirma, em sua obra " O ser e o Nada" que existe o conceito conhecido como " acomodação social", segundo o qual alguns temas sociais são banidos da discussão coletiva. Sob a lógica de Sartre, a discussão acerca da crise hídrica, embora relevante, não recebe a devida atenção, principalmente no que diz respeito as camadas sociais mais carentes. Um exemplo disso é a falta de água potável e de saneamento básico nas comunidades mais pobres, que traz como consequência doenças como leptospirose, diarreias que podem levar até mesmo a morte. Outrossim, grupos mais favorecidos financeiramente em momentos de crise hídrica conseguem comprar água, enquanto os menos favorecidos são esquecidos e ficam dias aguardando o retorno de um bem natural pertecente a todos.