Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 03/10/2019

A loucura como herança

O personagem Coringa, vivido por Heath Ledger no filme “Batman: o Cavaleiro das Trevas”, abandona sua sanidade mental para vislumbrar que o caos e a desordem, adquiridos hereditariamente pela humanidade, atestam uma forma de loucura social oculta. Exterior à ficção, o Brasil também vive essa realidade, tendo em vista que o cenário de acomodação relativa ao permanente machismo, expresso contra mulheres que estão amamentando seus filhos, corrobora para um contexto em que, mesmo com toda a obviedade sobre a necessidade de enfrentamento à problemática, o impasse continua invisível a muitos brasileiros.

Por esse ângulo, convém analisar que a insuficiente participação cidadã no combate ao preconceito com relação à amamentação, ratificada pela permanência dos dados estatísticos que comprovam essa forma de machismo e pelo preconceito com o corpo feminino, existente desde os primórdios da humanidade, afirmam que os brasileiros estão sendo espectadores passivos da problemática. Isso, tocante ao livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago, o qual expele a reflexão de que, mesmo que o problema esteja em sua frente, o ser humano está acostumado a não enxergá-lo, reforça a percepção do Coringa e a indispensabilidade de se habilitar os indivíduos ao exercício ativo da cidadania.

Notabiliza-se, também, que abrangente número de indivíduos possuem informações sobre as formas de amenização do preconceito ao processo de aleitamento materno, decorrente do machismo e da intolerância ao corpo feminino, mas não praticam ações em conformidade com esses conhecimentos por conta de tal acomodação relativa ao problema. Essa circunstância, sob a perspectiva de Pedro Calabrez, neurocientista contemporâneo, que assevera que a  estrutura cerebral humana condiciona o indivíduo a conservar comportamentos, a não ser que haja um esforço perpétuo e habitual para a superação desses, permite perceber que a questão do aleitamento materno também está unida à conformização dos maus hábitos sociais.

Perante o exposto, cabe aos prefeitos dos municípios brasileiros a promoção de atividades integradoras entre as populações, por meio de eventos semanais, em escolas e praças praças públicas, que qualifiquem os cidadãos a enfrentarem seus impasses com ferramentas práticas de atuação, mediante a debates que visam a desconstrução do machismo e do preconceito com o corpo feminino, mostrando aos cidadãos a real relação desses à questão do aleitamento materno no país. Por consequência, a cidadania se fará presente, de forma habitual, para transformar a realidade dos brasileiros, e a loucura social, enxergada pelo Coringa, terá seu ciclo findado.