Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 08/10/2019

O leite materno nos primeiros meses de vida é essencial para o recém-nascido, pois garante imunidade a diversas doenças, além de nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê. No entanto, muitas mães não conseguem sequer amamentar seus filhos durante o período indicado devido a várias questões, dentre elas, a falta de tempo da mulher na sociedade, que possui, muitas vezes, tripla jornada (emprego, filhos e casa). Desse modo, convém discutir acerca dos empecilhos do aleitamento e sobre como garanti-lo, tendo em vista as vantagens que esse ato traz à mãe e ao neném.

Primeiramente, é fundamental analisar o histórico da amamentação no Brasil para, assim, pontuar as mudanças que acarretaram o cenário atual. Na época colonial, era comum que filhos da sociedade abastada tivessem as amas de leite, as quais tinham como profissão engravidar e oferecer seu leite ao filho da família para qual trabalhava. Não obstante, apesar de tal relação de trabalho ter sido extremamente cruel sob a óptica do presente, muitas mulheres precisam priorizar o emprego remunerado hoje em dia e são obrigadas a encurtar o tempo ideal de amamentar, dando continuidade ao processo de inferiorização do papel materno em contraposição à valorização do trabalho.

Aliado a isso, outra questão que prejudica a prática desse importante ato é o preconceito em volta disso. Nesse sentido, já houve projetos de lei no país que discriminavam mulheres que amamentavam em público, sendo essas propostas as de criar espaços específicos ou até da proibição para a alimentação da criança com o leite materno. Além disso, muitas empresas impedem com que suas funcionárias que recentemente tiveram seus bebês façam a retirada periódica do leite, sob a justificativa de que isso possa afetar suas jornadas de trabalho.

Portanto, cabe à sociedade em geral não discriminar essa prática afetuosa que é essencial para a criança, mas ao contrário, agir para viabilizar o prolongamento dessa forma de alimentação. Para tanto, é dever dos cidadãos e da iniciativa privada que possui empregados facilitar esse processo por intermédio da aceitação e, pelas empresas, da disponibilização de um breve intervalo para as mãe bombearem o leite, além da permissão de congelarem o que foi retirado para seus bebês que, apesar do trabalho de suas progenitoras, terão seu alimento garantido.