Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 13/10/2019

De acordo com o filósofo alemão Jürgen Habermas, a sociedade é dependente de uma crítica às suas próprias tradições. Essa crítica, embora necessária, não é efetivada no hodierno cenário global, especialmente no Brasil, posto que as dificuldades enfrentadas pelas mulheres devido ao aleitamento materno advém de preconceitos costumeiros, os quais permanecem enraizados. Na prática, o despreparo civil em relação a exposição necessária do corpo da mulher e a inação do governo faz com que esse dilema permaneça. Assim, tais fatores devem ser analisados, a fim de que se possa solucioná-los de maneira eficaz.

Precipuamente, é imperioso destacar que os ataques preconceituosos que as mulheres sofrem devido a amamentação, sejam eles verbais ou físicos, é fruto do despreparo civil para lidar com a exposição e liberdade necessária do corpo da mulher. Isso porque, mediante uma sociedade historicamente machista e conservadora, a exposição do corpo feminino em espaços públicos para o aleitamento ou em qualquer outra circunstância, está sujeito a interpretações eróticas ou é visto como algo vulgar. Segundo dados da Vvale, com um índice de 47,5%, o Brasil aparece como o país onde mais mulheres dizem ter sofrido preconceito por amamentar em público. Diante do exposto, é inadmissível negligência do governo quanto ao amparo das mães em espaço público e segurança das mulheres em geral.

Ademais, é fulcral ressaltar a inação do governo como promotor do problema. Segundo dados do G1, não existe uma lei que obrigue a criação de espaços para o aleitamento em locais de uso público ou coletivo, fato esse que coopera com o constrangimento das mães e afeta diretamente o direito dos pequeninos de serem amamentados. Logo, é mister a providência de leis quem apoiem tanto as mães como os seus filhos.

Portanto, é mister que medidas sejam tomadas para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Para a conscientização da população, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que atinjam os espaços públicos movimentados e com grande presença de mulheres que necessitam amamentar, levando informações para a população em geral sobre a importância da amamentação e suscitando um maior apoio da população para as mães brasileiras. Somente assim, será possível solucionar o problema e aumentar o índice de relações harmônicas na sociedade.