Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 11/10/2019
“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência. Entretanto, no Brasil, a realidade vivenciada por mulheres que estão no processo de aleitamento maternal se encontra distante da realidade descrita pelo filósofo, uma vez que, constantemente são vítimas de julgamento social. Diante disso, torna-se pertinente analisar como a vulgarização da exposição do corpo feminino e o estabelecimento de padrões culturais contribuem para essa realidade
Primeiramente, é importante destacar que, no Brasil, a consolidação da vulgarização da exposição do corpo se deu durante o processo de colonização. No primeiro registro sobre a nova terra recém descoberta, Pero Vaz de Caminha, relata como os nativo circulavam livremente, sem qualquer constrangimento ao ter suas vergonhas amostra. Nesse contexto, é possível observar como os portugueses já tinham uma certa doutrinação em relação ao corpo, visto que, tais atos os escandalizavam. A partir disso, durante seu período de dominação impôs ao índio vestimentas e, com isso, tornou vulgar o ato de ter parte do corpo visível. Atualmente, infelizmente esse olhar permanece enraizado no país ao ponto de tornar a amamentação constrangedora em certos locais, mesmo que esse ato seja fundamental para atender as necessidades da criança.
Ademais, o estabelecimento de comportamentos que a mãe deve ter durante o aleitamento contribui para a permanência do preconceito. Nesse âmbito, o sociólogo Émile Durkheim, retrata a influencia social por meio da teoria da coercitividade: característica relacionada com o poder ou a força que os padrões culturais de uma sociedade se impõe ao indivíduo que a integra. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que, ao longo da história a amamentação também sofreu com a imposição de condutas, por exemplo, a necessidade de cobrir o bebê durante o ato. Desde então as mulheres passou a serem coagidas a adotarem tais medidas, uma vez que, essas quando desrespeitadas faz com que o sexo feminino sofra com julgamento da sociedade ao ter sua atitude vista como imoral. Logo, fica evidente a necessidade de ações para a mudança dessa realidade.
Infere-se portanto, que o julgamento social é um impasse que precisa ser superado para que as mães amamentem seus filhos livremente sem constrangimento. Para isso, o Ministério da Saúde, responsável pelo bem estar público, deve difundir campanhas, por meio das mídias sociais, que aborde, de forma crítica, como o comportamento da sociedade pode torna-se um estímulo para o abandono do aleitamento e quais as consequências para o menor, a fim de superar o pensamento que ainda permanece enraizado no país.