Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 11/10/2019
O aleitamento materno é uma das ferramentas para aumentar o vínculo entre mãe e filho, esta é internacionalmente reconhecida como a maneira mais eficaz e eficiente para garantir a nutrição e proteção da criança nos primeiros meses de vida. No entanto, mesmo com ampla divulgação de sua efetividade, ainda há baixa adesão da mulheres, uma vez que, a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza seis meses de aleitamento materno exclusivo, seguido de aleitamento complementar até os dois anos de vida. Dessa forma, deve-se defender e estimular o aleitamento materno saudável, sem deixar de lado as particularidades intrínsecas de cada família, assim convém abordar os fatores individuais e coletivos relacionados a essa ação.
Primeiramente, é preciso mencionar que o ato de amamentar é complexo e envolve questões multifatoriais, tais como: estrutura familiar, suporte psicológico, dor, fissuras, alterações anatômicas na aréola e mastite. Neste sentido, é pertinente a adoção de um olhar holístico e humanizado para oferecer condições mínimas de saúde e bem-estar. Conforme o filósofo Sartre, o homem é condenado a ser livre e responsável pelos seus atos. Logo, não se pode negar os inúmeros entraves advindos desse processo, porém, a implantação de estratégias governamentais adequadas para oferecer suporte materno pode minimizar esses problemas e favorecer a adesão consciente ao aleitamento materno.
Por conseguinte, verifica-se que entraves da própria sociedade são empecilhos presentes no país. Nesse contexto, pode-se pontuar o reduzido período de licença paternidade e maternidade, esta encontra-se em torno de 4 a 6 meses, tempo insuficiente para garantir as orientações do OMS, além disso, ainda prevalece comportamentos preconceituosos em relação à amamentação em público. Prova disso é apontado na Revista Crescer, na qual cita que 47% das mulheres no Brasil sofrem preconceitos em ambientes coletivos. Desse modo, fica explícito que reformas públicas podem auxiliar no enfrentamento dessa problemática.
Fica claro, portanto, a necessidade de instalar práticas afirmativas para ampliar o tempo dedicado para amamentar. Para isso, o Ministério da Saúde em parceria com o poder legislativo, devem sancionar a lei que aumente a licença maternidade para 7 meses - na esfera pública e privada - para facilitar a adaptação da introdução da alimentação complementar após o 6 mês, conforme instruções da OMS, e assim, reduzir a ansiedade da mãe e da família. Em adição, a atenção básica, deve oferecer amparo através de palestras à comunidade para reduzir ações estereotipadas, e realizar visitas domiciliares semanais à puérpera, com o intuito de sanar dúvidas e oferecer suporte técnico individualizado.