Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 30/10/2019
O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) são unânimes ao afirmarem a importância do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade de um bebê. No entanto, inúmeros fatores sociais na modernidade dificultam a amamentação e geram uma série de consequências danosas a médio e longo prazo na vida dos recém nascidos. Assim, a falta de apoio por parte da família e a dificuldade de desenvolver incentivos por parte de programas governamentais colaboram para o avanço dessa problemática.
Nesse sentido, o filósofo sul-coreano Byung Chul-Han afirma que a contemporaneidade é marcada pelo excesso de estímulos de produtividade e desempenho, o que culmina em diversas patologias físicas e psicológicas. Diante disso, a necessidade de jornada dupla das mães e a falta de apoio da família constituem os principais empecilhos para manter a amamentação dos filhos até a idade recomendada, já que, após a licença maternidade, os transtornos do cotidiano e alta carga horária de trabalho impedem um contato contínuo com o bebê, o que favorece a introdução de suplementos processados. Essa realidade, contudo, agrava o caos do sistema público de saúde, pois a falta de uma alimentação adequada no início da vida acarreta em diversos problemas imunológicos no futuro.
Além disso, a falta de orientação e incentivo para as mães por parte dos hospitais regionais trazem inúmeros riscos que poderiam ser evitados com a adoção de medidas simples de prevenção e cuidado. Prova disso, por exemplo, são os casos de insegurança da mãe quanto à quantidade de leite produzida, o posicionamento incorreto durante a amamentação, que gera desconfortos e traumas mamilares, e o constrangimento da amamentação em público advindo de preconceitos sociais, o que poderia ser enfrentado e debatido entre especialistas da área e a comunidade feminina a fim de promover conhecimento acerca da saúde da mulher. Nesse contexto, vale lembrar a frase da consagrada escritora existencialista Simone de Beauvoir, no qual afirma que ninguém nasce mulher, torna-se. Nessa perspectiva, convém uma solução sensitiva para o problema.
Portanto, para mudar essa realidade, é importante que a atuação do Ministério da Saúde no sentido de promover campanhas contínuas de orientação materna em hospitais e postos de saúde sobre a necessidade do aleitamento materno bem como oferecer auxílio por meio de cartilhas e videos explicativos sobre possíveis incômodos e traumas durante o processos de amamentação. Ao mesmo tempo, é crucial que ONGs em parceria com artistas e influenciadores digitais promovam campanhas nas mídias sociais para incentivar o aleitamento materno e o apoio da família nesse processo, pois só com conhecimento e sensibilidade será possível proteger as próximas gerações.