Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 13/10/2019
A série Jovens e Mães, da emissora americana MTV, retrata a vida de 4 jovens que se tornaram mães aos 16 anos. Nesse sentido, a trama retrata as diversas tribulações que existem na maternidade e, dentre elas, a dificuldade e o preconceito existente no aleitamento materno. Todavia, distante do entretenimento midiático, o aleitamento materno no Brasil é um tema hermético, visto que possui diversas problemáticas em seu ato. Diante disso, sabe-se que tais problemáticas existentes no aleitamento materna se encontram no preconceito do ato em locais públicos, na falta de informação sobre os benefícios da amamentação e o pouco acompanhamento governamental sobre o tema.
Neste contexto, é indubitável que na sociedade patriarcal brasileira, existe uma intensa intolerância ao ato de amamentação em público, já que, de acordo com o site O Globo, cerca de 57% das mulheres já foram vítimas de comentários ou atos preconceituosos ao amamentar em locais públicos.Esse panorama de incomplacência, contudo, é prejudicial as mães, visto que segundo a psicóloga Marina Ferrari, da Universidade de São Paulo, as mulheres se sentem envergonhadas e inaptas ao amamentarem em público, fato este que contribui para casos de ansiedade e até depressão pós-parto.
Além disso, sabe-se que a falta de informação existente sobre os benefícios do leite materno é intenso, posto que, de acordo com a pesquisa na página Quebrando o Tabu, cerca de 46% das mulheres não acham necessário a amamentação. Esse quadro, todavia, aumenta de forma intensa ao se observar mulheres de áreas periféricas do Brasil, já que 1 em cada 3 mulheres de regiões periféricas não possuem conhecimentos sobre os benefícios do ato. Tal falta de informação, por conseguinte, faz com que muitas crianças cresçam com doenças como pneumonia e diarreia, conforme a revista The Lancet.
Ademais, é notório a falta de investimento brasileiro no acompanhamento no processo de aleitamento materno no país, uma vez que inúmeras mulheres não possuem um acompanhamento médico ao não conseguirem amamentar. Esse quadro foi exposto pela Organização Mundial da Saúde, em que expôs que o Brasil é um dos países que menos se investe em temas como saúde da mulher. Paralelo à essa questão, a socióloga Mia Couto, retrata em seus estudos esse descaso contra as mulheres, ao afirmar que na sociedade atual, a saúde da mulher é colocada como privilégio, e não como necessidade.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Saúde, órgão federal responsável pelo saúde da população, deve promover campanhas midiáticas sobre aleitamento materno. Tais campanhas seriam transmitidas na TV, com o fim de orientar as mulheres sobre a amamentação, conscientizar sobre a intolerância existente no ato, além de promover dicas a mães com problemas na amamentação. Isso pode ser feito por meio de explicações de médicos e psicólogos, pois desta forma é possível mudar tais problemáticas