Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 13/10/2019
O corpo humano se protege, diariamente, das ações de patógenos por mecanismos de defesa. No caso dos recém-nascidos, é por meio do aleitamento materno que os primeiros anticorpos são adquiridos. Nesse sentido, além de vitaminas e aminoácidos essenciais, o alimento da mãe é essencial para a proteção do bebê contra doenças que podem ser letais nessa fase. No entanto, no Brasil, a amamentação durante os seis meses iniciais, preconizada pela Organização Mundial de Saúde, ainda é um desafio, em virtude da coerção da indústria farmacêutica atrelada ao preconceito contras as mães.
É importante ressaltar, primeiramente, que as influências das grandes corporações são um entrave à resolução do problema. Acerca dessa premissa, Max Weber, em sua teoria do consumo, disserta sobre o poder exercido pela economia para o consumo de bens e serviços. Sob essa ótica, empresas do ramo de formulas infantis, com o intuito de lucrar, influenciam médicos e mães a interromperem a amamentação para utilizar seus produtos. Esse processo é evidenciado no documentário “Bottled Up” (“Engarrafe-se”, em tradução aproximada) que escancara os mecanismos midiáticos, usados pelas empresas, para convencer profissionais de saúde a prescreverem o leite enlatado.
Ademais, outro fator decorre do preconceito acerca da do processo de amamentar. Sob esse viés, a Constituição garante o preceito aristotélico da equidade: tratar os desiguais conforme suas desigualdades. No entanto, ao observar a ausência de locais adequados para amamentação tanto nos espaços públicos quanto nas intuições privadas, observa-se que o preceito constitucional não é atendido na prática. Nesse contexto, o quadro “Profissão Repórter” demonstra o preconceito sofrido pelas mulheres que, muitas vezes, interrompem o processo de aleitamento por não conseguirem retirar o leite em local privativo.
Fica claro, portanto, que o aleitamento materno é prejudicado pelas empresas alimentícias e pela ausência de espaços adequados para o processo. Nesse ínterim, é dever do Congresso Nacional, por meio de uma lei, coibir as ações das empresas, bem como dos médicos, sob pena de multa, para que a prescrição de fórmulas infantis só aconteçam em casos de necessidade comprovada. Além disso, é função do Ministério da Saúde, juntamente com a Receita Federal, garantir incentivos fiscais a empresas e órgãos públicos que implementarem lactários, para que hajam locais apropriados as mulheres. Por fim, a mídia, por meio de campanhas, tem a função de promover a conscientização das mães sobre a importância da amamentação, para que, assim, o leite possa cumprir sua função biológica nas crianças.