Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 15/10/2019

Algumas civilizações bárbaras, como os Hunos, colocavam a mulher em uma posição de destaque, principalmente pela admiração desses povos ao fenômeno da gestação. Entretanto, no contexto atual, quando se depara com cenário sociológico do Brasil, percebe-se, sobretudo um descaso com o processo de amamentação. Isso ocorre, dentre outros aspectos, pelo preconceito social, bem como a questão da desinformação.

A princípio, mesmo que a filosofia existencialista de Sartre afirme que o homem está, paradoxalmente, condenado a ser livre, quando se examina o receio da amamentação em público no país, nota-se, sobretudo, não apenas um desrespeito a princípios básicos, como a dignidade humana, mas também com a saúde da população. Em vista disso, o Art 3 da Constituição Federal de 1988 assegura, dentre outras coisas, a erradicação de qualquer forma discriminatória. Contudo, é visto, cada vez mais, uma certa vergonha de muitas mães ao amamentarem seus filhos no meio social, principalmente porque as raízes do preconceito, historicamente enraizadas pelo machismo colonial, ainda procuram dominar e esconder o corpo feminino. Consequentemente, os benefícios da amamentação, como base nutricional, ficam comprometidas com a presença desses esteriótipos.

Além disso, outro fator preponderante para a diminuição dessa prática em sociedade, é a desinformação. A esse respeito, sob a ótica do escritor Ferreira Gullar, nunca houve tanto acesso a conteúdos como na contemporaneidade. Todavia, percebe-se, também, certa manipulação e distorção de informações que atenuam os processos de amamentação pelo país. Nesse contexto, de acordo com a revista Superinteressante, quase metade das gestantes desconhecem a importância exclusiva do leite materno nos primeiros seis meses de vida. Nesse sentido, nota-se, principalmente a ação de movimentos virtuais contrários a essa prática, na qual mediante a disseminação de pseudociência informa, rotineiramente, que a amamentação pode ser substituída facilmente por outras formas nutricionais. Logo, cabe uma visão crítica sobre a influência das ´´fake news´´ nessa temática.

Em suma, é necessário a busca de medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, compete ao Ministério da Saúde criar mecanismos sociais de respeito à amamentação, bem como de incentivo a essa prática em sociedade. Isso poderá se materializar mediante o desenvolvimento de campanhas publicitárias no ambiente virtual, em que haja a presença de profissionais, como médicos e nutricionistas, para se abordar os conhecimentos científicos da temática, assim como desmistificar os casos de ´´fake news´´. Tudo isso com intuito de assegurar a manutenção dessa prática na coletividade, bem como permitir um desenvolvimento saudável das crianças no Brasil.