Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 22/10/2019
É indubitável que o aleitamento materno é uma característica inerente à animais mamíferos. Segundo o ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente, é dever do Estado garantir condições adequadas à amamentação, pois é por meio deste ato que as necessidades nutricionais e afetivas,tanto do bebê quanto da mãe, são supridas. Entretanto, a inobservância governamental sustenta imbróglios como o preconceito e os interesses privados, que constroem uma problemática social entorno do aleitamento materno, sabotando a natureza animal.
A priori, faz-se necessário analisar como as pressões externas influenciam o comportamento materno. De acordo com Pierre Bordieu, a violência simbólica, exercida pelo corpo sem coação física, causa na vítima danos morais e psicológicos. Dessa forma, os olhares e julgamentos típicos de uma sociedade formada sobre bases patriarcais, intimidam e constrangem as mulheres que amamentam em espaço público. Em suma, pode-se observar tal cenário quando, em 2016, a então deputada Manuela D’ávila recebeu severas críticas por amamentar sua filha no Congresso.
Outrossim, é indispensável compreender como a interferência de grandes empresas contribuem para o desmame precoce. Segundo Karl Marx, o consumo alienado é uma forma de dominação da massa para atender aos interesses privados. Dessa forma, tendo como único objetivo final o lucro, importantes corporações utilizam ferramentas de marketing para manipular mulheres, induzindo-as a acreditar que a fórmula comercializada será mais benéfica que o leite materno. Em resultado, contrariando a recomendação da OMS, de amamentação exclusiva até os 6 meses, as mães deixam de oferecer o peito e introduzem o leite industrializado na alimentação do bebê.
Destarte, torna-se evidente a necessidade de medidas que revertam a problemática do desmame precoce. Assim, o Governo deverá construir cabines de amamentação em locais públicos afim de oferecer às mães conforto e privacidade para este momento. Ademais, em parceria com o Ministério da Saúde, os canais de tv aberta deverão veicular campanhas sobre a temática afim de superar o preconceito e os tabus do aleitamento. Somado a isto, por meio do poder legislativo, deverá ser criada uma lei para regulamentação de propagandas de leite infantil. Logo, com tais medidas, espera-se que o Estado cumpra seu dever instituído pelo ECA.