Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 16/10/2019

Na obra “Utopia” o escritor inglês Thomas More é retratada uma sociedade perfeita na qual o corpo social padroniza-se na ausência de conflitos e problemas. Não obstante, o que se observa na realidade contemporânea é antagônico ao que o autor prega, pois o aleitamento materno em questão no Brasil apresenta entraves, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto das dificuldades para amamentação após a volta ao trabalho, quanto do preconceito intrínseco da sociedade.

Primordialmente, é fulcral pontuar que os obstáculos para a amamentação após a volta ao trabalho, deriva da postura individualista das empresas. Segundo Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida” o individualismo é uma das principais marcas da sociedade pós-moderna. Partindo desse pressuposto, é evidente que a postura adotada pelas empresas em relação a amamentação comprova o que Bauman expõe em sua obra, uma vez que, as empresas não se preocupam com a questão da amamentação de suas funcionárias e consequentemente não oferecem o minimo de assistência para essa prática. Logo, isso dificulta a amamentação das mães depois de retornarem ao trabalho. Por conseguinte, de acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde, somente 38,6% dos bebês brasileiros se alimentam só com o leite da mãe nos primeiros 5 meses de vida, o que é considerado abaixo do ideal.

Outrossim, é imperativo ressaltar que o preconceito intrínseco da sociedade como promotor do problema, posto que, a sociedade hodierna carrega princípios conservadores advindos de gerações do passado. Nesse viés, esse preconceito se manifesta na sociedade como violência simbólica. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a violação dos direitos humanos não consiste somente no embate físico, ele está, sobretudo, no ato de perpetuar preconceitos que atentam contra a dignidade de um indivíduo. Portanto, consoante à esse pensamento de Bourdieu sobre a opressão simbólica, é notório que as mulheres são vítimas dessa violência ao amamentarem em público. De acordo com a pesquisa feita pela Lansinoh, cerca de 47% de mulheres brasileiras relataram ter sofrido preconceito ao amamentar em publico, o que ilustra a problemática.

Em suma, urge, pressurosamente que o Ministério da Saúde em conjunto com o Sistema Legislativo elaborem uma legislação que reforce o direito da amamentação, por meio da implantação de salas de apoio ao aleitamento em locais públicos e em locais de trabalho, para que as mães se sintam confortáveis e não passem por situações de preconceito. Desse modo, as entraves sobre o aleitamento no Brasil serão solucionadas e a coletividade alcançara a Utopia de More.