Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 20/10/2019
Segundo Ralf Dahrendorf, filósofo alemão, “a anomia é uma condição onde as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam sua validade”. Nessa perspectiva, visto que o leite materno é medular ao bom desenvolvimento do bebê, a negligência no aleitamento se caracteriza como uma anomia social. Em suma, na historiografia brasileira, a questão da amamentação é colocada em pauta desde o período colonial. Assim, a desinformação sobre a importância desse geste acaba por estorvar sua prática.
Precipuamente, é marcante no Brasil do século XVI, a não amamentação das crianças livres pelas suas mães. Prova disso é a utilização de amas de leite, mulheres, essencialmente negras, que, na condição de cativas, eram designadas para aleitar os filhos das suas “donas”. De maneira análoga, hodiernamente, a utilização indevida de artifícios tais como mamadeiras e chupetas tenta cumprir o papel que antes era exercido por essas mulheres. Dado o exposto, percebe-se que a privação da amamentação, além de abster o recém-nascido dos benefícios do leite, promove o distanciamento entre mãe e filho.
Faz-se mister, ainda, salientar a falta de informação como impulsionadora do problema. Consoante o escritor americano John Naisbitt, “a nova fonte de poder não é o dinheiro nas mãos de poucos, mas a informação nas mãos de muitos”. Nesse viés, dado o poder nutricional do leite, fonte de vitaminas, proteínas e, principalmente, sais minerais como o cálcio – elementar na constituição óssea do bebê – nota-se a importância da divulgação desses fatos. Desse modo, a precariedade na disseminação desse conhecimento implica no que, conforme o iluminista inglês John Locke, é um direito inalienável do homem, a vida.
Portanto, é fulcral uma tomada de medidas que solucionem o impasse. Dessa forma, a mídia deve usar seu pode de propagação de informação para, por intermédio de campanhas publicitárias na televisão, na internet e no rádio, informar sobre as vantagens da amamentação. Destarte, pode-se incitar a maior adesão dessa prática. Ademais, como já dizia o economista francês Robert Turgot, o princípio da educação é pregar com o exemplo. Logo, o Ministério da Educação deve promover nas escolas, feiras com profissionais, por exemplo, pediatras, que discutam e evidenciem as mazelas da falta do leite materno na infância. Por conseguinte, as futuras mães são instruídas desde cedo e é minimizada a anomia descrita por Dahrendorf.