Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 19/10/2019
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, o personagem atingia o topo do rochedo, não obstante, era vencido pela exaustão. Analogamente, esse mito associa-se à luta cotidiana das brasileiras que buscam ultrapassar as barreiras às quais as separam do direito à amamentação. Nesse contexto, não há dúvidas de que esse gesto tão simples esbarra não só no preconceito social, mas ainda na insegurança causada pela publicidade. Com efeito, torna-se fundamental debater os impactos e consequências desse quadro, bem como maneiras de o interromper.
Em primeira análise, ressalta-se a importância do leite materno no que tange ao desenvolvimento metabólico e imunológico do recém-nascido. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), esse alimento reduz em 13% a mortalidade infantil, além de minimizar casos de hipertensão, colesterol e diabetes. Assegurar, na prática, a proteção e o respeito a essa ação, contudo, permanece um desafio diante do preconceito e censura, principalmente quando realizada em locais públicos. Prova disso é que 40% das mães brasileiras já foram atacas por tal conduta, tal qual consta em pesquisa realizada pelo Global Lasinoh.
Ademais, é inegável o impacto negativo oriundo das empresas alimentícias e mídias publicitárias, uma vez que é cada vez mais constante a recomendação de fórmulas e acessórios que, teoricamente, trariam impactos positivos e conforto. Todavia, é fato que as fórmulas lácteas não apresentam todos os nutrientes essenciais à dieta do bebê, tampouco transmite anticorpos maternos ou desenvolve o afeto mútuo. Por conseguinte, os desafios para promover essa prática estão presentes na estrutura arcaica e opressora da coletividade, assim como em seu viés individualista.
Considerando-se os aspectos mencionados, cabe ao Ministério de Saúde, em consonância com a mídia, conscientizar a sociedade civil a respeito da função social da amamentação. A ideia de tal medida é, a partir de palestras e eventos públicos divulgados em redes sociais e canais televisivos abertos, combater mitos e tabus a respeito do tema. Com isso, é dever do Governo Federal, por intermédio dos órgãos responsáveis, regular as propagandas alimentares que circulam no país. Essa proposta deve contar com a aprovação de leis que obriguem as indústrias a avisar ao público sobre as informações nutricionais de fórmulas lácteas, além de incentivaram o aleitamento materno. Só assim, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.