Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 19/10/2019
Em 2017, o Congresso Nacional sancionou uma lei que oficializa o " Agosto Dourado", mês escolhido para dar visibilidade ao aleitamento materno. O Brasil, apesar de ser referência mundial no número de crianças que mamam, ainda apresenta dificuldades que impedem a concretização do pleno exercício da amamentação materna. Nessa conjuntura, cabe avaliar como a objetificação do corpo feminino promove a desinformação que, consequentemente, leva à desistência do aleitamento materno.
Cabe pontuar que quando há uma cultura preconceituosa, a falta de informação é concretizada. Isso ocorre porque a sociedade brasileira, moldada em padrões machistas e patriarcais construídos desde a colonização portuguesa, sexualiza o corpo feminino que é visto, exclusivamente, como fonte de fertilidade e prazer. Essa realidade pode ser observada em um levantamento feito pela Pesquisa Global sobre Aleitamento Materno, no qual se revela que 47% das mulheres brasileiras afirmam sofrer preconceito ao amamentarem em público. Nesse viés, fica evidente que o ato de amamentar é sexualizado e visto como “atentado ao pudor” pela sociedade brasileira. Dessa forma, as informações sobre o aleitamento materno não são divulgadas, deixando, assim, algumas mães desinformadas sobre o desafio de amamentar.
Consequentemente, uma vez desinformadas, muitas mães desistem de amamentar. No documentário “amamentação sem culpa”, do médico Drauzio Varella, uma mãe desabafa: “Chegava a morder uma fralda, porque achava que a dor era normal”. Esse depoimento expõe as dificuldades que as mães sentem nos primeiros momentos da amamentação, os quais envolvem fissuras, infecções e sangramentos que levam a mãe, sem suporte informacional, a desistir de amamentar. Desse modo, essas mulheres acabam trocando o leite materno por fórmulas sintéticas, que não suprem a necessidade imunológica do bebê.
Portanto, infere-se que medidas são necessárias para ampliar o aleitamento materno no Brasil. É imprescindível que o Ministério da Saúde sensibilize a população sobre os benefícios emocionais e físicos da amamentação a fim de superar a cultura que sexualiza o aleitamento, por meio da veiculação abrangente de anúncios divulgados em sites sobre maternidade e em postos de saúde. Também é dever dos estados municipais construir centros especializados em aleitamento materno, que deverão disponibilizar atendimento multidisciplinar com fonoaudiólogas e pediatras a fim de ampliar o aleitamento materno no Brasil.