Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 22/10/2019
No livro “Utopia”, do pensador inglês Thomas More, é descrita uma sociedade impecável, na qual o tecido social se uniformiza pela inexistência de contratempos maternos e hostilidades gerais. Contudo, o que se verifica na situação hodierna é o oposto da retratação do escritor, uma vez que o aleitamento das mães apresenta obstáculos no Brasil, os quais atrasam a materialização das concepções de More. Esse contexto adverso é resultado tanto da negligência governamental, quanto do machismo enraizado na cultura. Dessa forma, torna-se essencial a discussão desses pontos, a fim do amplo desempenho da coletividade.
Em primeira abordagem, é fundamental destacar que a dor nos seios por amamentar poderia ser evitada pelos setores governamentais. Consoante o filósofo contratualista Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população; no entanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, as mães deixam de aleitar os filhos por sofrerem desconforto nas mamas, o qual poderia ser retardado se o Governo oferecesse uma bomba sucsora de leite para as mulheres afetadas. Assim, faz-se necessária a remodelação dessa conduta para assegurar o objetivo estatal hobbesiano.
Outrossim, é impreterível salientar o machismo enraizado na consciência coletiva como impulsionador do impasse. Segundo dados da Pesquisa Global sobre Aleitamento Materno, 47,5% das brasileiras já sofreram preconceito por amamentar em público. Partindo desse pressuposto, verifica-se que o pensamento conservador e antiquado da população afeta negativamente a vida da mãe e do bebê, fazendo com que esta deixe de alimentar o filho ou se esconda para tal. Logo, essa ideia arcaica colabora para mulher aleitar o filho com leite industrial, o privando de benefícios nutricionais e imunológicos do leite biológico.
Destarte, entende-se que o aleitamento materno é atrasado pela sociedade brasileira, apesar de ter inúmeros benefícios. Com o escopo de ampliá-lo, urge que o Governo, na figura do Ministério da Saúde, atenue a dor nos seios das mães ao amamentar por meio do oferecimento gratuito de bombas sucsoras de leite para essas afetadas, fazendo com que a mulher não sofra do contato da boca do filho com a mama. Além disso, para reverter o preconceito contra o aleitamento em público, a mídia deve retratar a naturalidade desse ato normal e corriqueiro, usando cenas dramatizadas nas novelas da televisão aberta. Por fim, surgirá um contexto propício para atenuação, em médio e longo prazo, do efeito deletério desses problemas, e a comunidade se aproximará da Utopia de More.