Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 08/01/2020
Simone de Beauvoir discutiu, em O Segundo Sexo, sobre a questão do patriarcado e da relação de poder entre homens e mulheres, o qual considerava os aspectos intrínsecos na criação das meninas e na perpetuação de idiossincrasias machistas. Ao considerar uma sociedade patriarcal regida por costumes conservadores e anacrônicos, Beauvoir pontuava que a mesma teria sido culpada por atribuir conceitos inexistentes ao comportamento das mulheres, como, por exemplo, qualidades e valores considerados especificamente femininos, em especial, a maternidade. Evidencia-se uma cultura machista e agressiva em relação ao aleitamento materno que sofre represálias em público. Nesse sentido, faz-se necessária a discussão acerca do aleitamento materno e de sua repercussão social em questão no Brasil.
Por conseguinte, ainda seguindo as premissas de Beauvoir, o corpo social considera uma natureza feminina ligada a conduta e respeito, nos quais não abrigam exposição do corpo feminino e libertação das condições de opressão. Com isso, a autora teria demonstrado que essa condição posta pela sociedade seria capaz de suprimir a dignidade da mulher, já que desconsidera sua própria existência e autonomia. Nesse debate, pode-se pontuar a influência da indústria midiática em contribuir com a tentativa patriarcal de conduzir a narrativa em volta do corpo feminino, dando ênfase ao corpo quando desejado e desprezo pelo mesmo quando envolve questões biológicas e necessárias.
Não obstante, segundo pesquisa feita pela revista Istoé, a relação com a história apresenta um caminho a ser entendido: primeiro com amas de leite no período escravista até chegar a mulher inserida no mercado de trabalho na pós-revolução industrial. Tal linha temporal transparece a luta feminina por um lugar na sociedade, para além de nutrir e cuidar da família. Por esse motivo, o aleitamento, ato natural para alimentar o bebê, não deve ser condenado. Com isso, o Senado aprovou, em 2015, multa para quem pedir amamentação em público.
Portanto, de acordo com as informações apresentadas, medidas devem ser tomadas para impedir que mães sejam reprimidas e envergonhadas pela ato da amamentação. O Ministério da Saúde, em conjunto com o SUS [Sistema Único de Saúde], deve elaborar medidas para conscientizar a população da naturalidade biológica do aleitamento e da importância do mesmo para o recém-nascido. Assim, o Governo deve atentar-se em apresentar leis mais rígidas para garantir os direitos das mulheres. No entanto, é preciso, além disso, que haja compreensão em relação a indústria de filmes que colabora diretamente na sexualização do corpo feminino e da condenação do mesmo quando não ambicionado.