Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 24/10/2019

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU), garante a todos os indivíduos o direito ao bem-estar social. Conquanto, algumas mulheres brasileiras, especificamente as lactantes, são impossibilitadas de desfrutar integralmente desse direito na prática, em função de estigmas sociais e da falta de assistência de saúde pública adequada. Nessa perspectiva, é necessário analisar as questões da amamentação no Brasil.

Em primeira análise, cabe salientar que, no Brasil, parte das lactantes sentem receio de amamentar em público. A prova disso se revela na Pesquisa Global sobre Aleitamento Materno, realizada em 2015, em que quase metade das mulheres brasileiras afirmaram ter sofrido preconceito por fazer aleitamento materno em público. Dessa forma, fica evidente que esse aspecto negativo tolhe das recentes mães o gozo pleno da DUDH e, por isso, é necessário adotar ações com o fito de alterar o conjunto social vigente.

Ademais, observa-se o despreparo de parte dos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) em assistir corretamente as lactantes nos desafios enfrentados por elas, como dor ao amamentar, fissuras e até mesmo sangramento dos mamilos. Nota-se, portanto, que o Estado descumpre o “contrato social”, descrito pelo filósofo inglês John Locke, ao não garantir o bem-estar a toda população. Assim sendo, medidas públicas devem ser tomadas para alterar o cenário atual.

Destarte, providências são fundamentais para resolver as questões do aleitamento materno analisadas. Para tanto, o Governo Federal, através do SUS, deve capacitar os profissionais públicos da saúde, por meio de cursos e treinamentos, para que possam orientar as lactantes sobre práticas que diminuam as lesões causadas na amamentação. Além disso, as escolas devem fazer palestras sobre o aleitamento materno aos alunos, a fim de que se diminua o preconceito contra a amamentação em público no Brasil.