Aleitamento materno em questão no Brasil
Enviada em 26/10/2019
No período da escravatura brasileira havia a ama de leite, escrava que amamentava os filhos da aristocracia em detrimento de sua própria cria. Ainda nos dias atuais, alguns fatores direcionam as mulheres a buscar outras alternativas para nutrir seu filho. Nessa perspectiva, observa-se que, embora o aleitamento materno seja de suma importância para o desenvolvimento da criança, a atitude misógina da sociedade e a falta de preparação e apoio às mães contribuem para os obstáculos relacionados a essa questão. Logo, faz-se necessário encontrar caminhos para incentivar o ato de amamentar.
Convém ressaltar, a princípio, que o machismo e conservadorismo enraizados no Brasil, é o principal fator para a figura materna optar por fórmulas lácteas, posto que, os seios são sexualizados e são vistos como simbolo erótico. Destarte, é pertinente expor o caso que aconteceu em Santo André, em que uma cidadã foi impedida por três segurança de aleitar o seu bebê em um terminal de ônibus, pois segundo os funcionários aquela ação era um atentado violento ao pudor. Nesse sentido, vê-se que, apesar de todas as lutas e conquistas das mulheres, há uma objetificação do corpo feminino que acentua a discriminação associada à lactação, uma vez que, mesmo nesse período tão significativo entre mãe e filho, os peitos são considerados impudico até em sua função primária. Nesse viés, torna-se evidente que muitas mulheres se isentam de nutrir seus filhos devido os paradigmas sociais.
Outrossim, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante que todas as pessoas merecem ter um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar e, ainda reforça que a a maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. No entanto, nota-se que existe um paradoxo entre a legislação e a realidade que as brasileiras puérperas vivem, pois além do alactamento ser uma etapa difícil e que causa sofrimento, essas não tem acesso à informação e, muitas vezes, não têm apoio. Por conseguinte, apesar dos pais se matricularem em cursos que auxiliam alguns cuidados com o recém-nascido, nem todo conteúdo sobre amamentação é esclarecido e, com a mulher em situação de descrença de sua própria capacidade de prover alimento ao seu filho, acabam contribuindo para a cultura do leite artificial.
Infere-se, portanto, que é imprescindível solucionar tal problemática. Para isso, com o intuito de haver uma quebra sistêmica que possibilite reverter o quadro atual e fazer com que as mães se sitam confortáveis para amamentar, é importante que o Ministério da Saúde, atrelado aos meios midiático, como por exemplo plataformas digitais, conscientizar a população, através de propagandas, sobre a importância de tal ato e, esclarecer que esse é um direito da mulher e do bebê. Afinal, como preceitua Johann Goethe, filósofo alemão, nada no mundo é mais assustador que a ignorância em ação.