Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 26/10/2019

O Ministério da Saúde recomenda o Aleitamento materno exclusivo as crianças de 0 a 6 meses de vida e complementado até os 2 anos. Porém, em desacordo com esta normativa, não raramente, há entraves para a oferta do seio materno no cotidiano brasileiro. Portanto, esse cenário desafiador demanda medidas específicas para combater o preconceito com o ato de amamentar em público,  bem como garantir um ambiente favorável ao aleitamento na nossa sociedade capitalista.

Em primeira análise, o sentimento hostil de parte da população com a amamentação em público apresenta-se como um dos obstáculos enfrentados pelo binômio mãe-filho. Sob tal ótica, de acordo com o sociólogo francês Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de generalidade, exterioridade e coercitividade. Seguindo essa linha de raciocínio, observa-se que na ausência de uma consciência coletiva a respeito da importância da amamentação regular dos latentes, as mazelas advindas desse preconceito tentem a permanecer no Brasil, agindo como um fator causador de não adesão das mães ao aleitamento.

Ademais, destaca-se a falta de uma melhor legislação trabalhista como impulsionador do problema.  Conforme afirmou Aristóteles, é preciso tratar igualmente os iguais, desigualmente os desiguais, na medidas das suas desigualdades. Contudo, a instrução aristotélica não é aplicada em sua plenitude pela CLT, onde a Orientação do Ministério da Saúde reforça a importância de aleitamento exclusivo no primeiro semestre de vida, período vulnerável da vida humana. Tal fato quase sempre é impedido pela necessidade de retorno ao serviço com apenas 120 dias de licença maternidade. Nesse interim, a lactente encontra um alicerce frágil para garantir a melhor nutrição ao seu filho, o leite materno.

Portanto, a fim de garantir o cumprimento do que é preconizado nos guias de aleitamento materno, e fazendo valer o já foi dito pelo educador Paulo Freire, a educação transforma as pessoas e as pessoas transformam o mundo, cabe ao Governo Federal junto a mídia, promover campanhas de consciencialização sobre a importância do aleitamento por meio de banners explicativos e campanhas educativas na televisão, com o intuito de integrar toda a população na promoção da melhor nutrição das crianças até 2 anos de vida. Outrossim, cabe a sociedade civil, através de reivindicações aos representantes dos 3 poderes, exigir uma legislação mais integrada com as recomendações de boas praticas de amamentação, com intuito de garantir um ambiente propicio a manutenção do aleitamento. Apenas sob tais perspectivas, poder-se-a respeitar o direito da família de garantir o melhor alimento a seus filhos, pois como disse Karl Marx: ‘‘as inquietudes são a locomotiva da nação.’’