Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 30/10/2019

A Constituição Federal de 1988 garante a todos os indivíduos o bem-estar físico, mental e social. Contudo, essa não é uma realidade brasileira, visto que muitas mulheres ainda sofrem preconceitos durante o aleitamento em locais públicos. Diante desse aspecto, dois fatores não podem ser negligenciados: os abusos causados por uma sociedade predominantemente machista e a escolha de fórmulas prontas para alimentar o recém-nascido. Dessa forma, medidas cujo objetivo sejam garantir melhores condições para a amamentação em público devem ser tomadas.

Em uma primeira análise, vale ressaltar que, de acordo com o pensamento filosófico de Francis Bacon, o meio influencia as ações de um indivíduo. Sendo assim, em uma sociedade em que o machismo ainda é marcante no cotidiano, muitas mulheres optam em não amamentar o bebê em local público como forma de evitar conflitos. Como forma de exemplificar a situação, em 2016 a deputada Manuela D’Avila foi criticada por ter amamentado a filha em uma sessão política. Mesmo o aleitamento materno no Brasil ser referência mundial, segundo reportagem da Unesco, se faz necessário medidas mais efetivas que combatem o preconceito na hora da amamentação, para que, assim, as próprias mães se sintam mais confortáveis na hora de alimentar seu filho.

Concomitantemente, soma-se ao supracitado que a forma de fugir das situações desconfortáveis, como a agressão verbal e a falta de locais propícios ao aleitamento, é a troca do leite materno por leites industriais, mesmo que a OMS recomende a amamentação até o seis meses de idade. A inobservância governamental é um agravante da situação, haja visto que são ínfimos os locais públicos para essa prática no país. Segundo Pesquisa Global do Aleitamento Materno, 26% das mulheres sofrem dor ao amamentar, fato esse que se intensifica com a falta de locais para sentar, o que leva à troca da amamentação pela mamadeira. O mais prejudicado nessa situação é o bebê, já que o leite materno supre às suas necessidades nutricionais e imunológicas, garantindo um bom desenvolvimento.

Perante o exposto, se faz necessário medidas intervencionistas governamentais. Urge que o Poder Legislativo, por meio de uma ementa, torne as punições mais severas para aqueles que causem situações de constrangimento às mães que estão amamentando, por meio de indenizações mais caras e a doação de cestas básicas para famílias carentes. Além do mais, deve tornar obrigatório a oferta de cadeiras especiais para o aleitamento em locais públicos e privados, permitindo, assim, que as mulheres tenham mais conforto na hora de amamentar. Tais medidas serão responsáveis por favorecer a prática de aleitamento materno e irão garantir um desenvolvimento mais saudável das crianças brasileiras.