Aleitamento materno em questão no Brasil

Enviada em 09/01/2020

Segundo a UNESCO, cerca de 40% dos recém-nascidos no Brasil são alimentados exclusivamente pelas mães até os seis meses de idade. Apesar do baixo índice de adesão à prática, o país é referência mundial em aleitamento materno. Mesmo tendo diversas vantagens para mãe e para o bebê, o aleitamento enfrenta duas barreiras para sua difusão: a preocupação estética das mães e o preconceito contra “dar o peito” em público.

De início, vale ressaltar que muitas mulheres deixam de amamentar seus filhos de maneira adequada por medo de ficarem com os seios flácidos e descaídos. Para Theodor Adorno, esse comportamento deletério é suscitado pela indústria cultural que incute, através de filmes, jogos e músicas, tipos ideais na mente das massas. Influenciadas pelas mídias, mães de todo o país preterem seus filhos em função de um padrão de beleza imposto pelos interesses das indústrias.

Além disso, a amamentação é desencorajada por comentários perversos direcionados às mulheres que atendem às necessidades nutricionais de seus filhos em público, fazendo do aleitamento um tabu. De acordo com Foucault, isso se deve à culpabilização do corpo própria da cultura judaico-cristã, que faz do corpo um prisão na qual devem ser expiados os pecados da carne. Como a amamentação requer que seja exposto parte do seio da mãe e há o ato de sucção desempenhado pela criança, a prática é considerada quase libidinosa.

A minoração dessa problemática passa, portanto, pela representatividade midiática das mães lactantes e pelo desfazimento do tabu do aleitamento público. Para tanto, as concessionárias de faixas do espectro-eletromagnético devem inserir em seus produtos personagens  que difundam a prática e seus benefícios. Como, por exemplo, uma protagonista de novela que luta pela lactação em público. Dessarte, haverá uma maior adesão de mães e pais à amamentação e, aos poucos, o preconceito contra a aleitamento público diminuirá.